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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sauna no Morro

Volto a aparecer sem muitas palavras escritas, dando lugar às imagens e às vozes que contam histórias. Esta, quero espalhar para o mundo. Meus vizinhos aqui do Morro do Papagaio mostram como a solidariedade pode realizar o sonho de menino... *Com música e letra de Kdu dos Anjos, feita sob encomenda! ;-)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Minas e a Política....

Com todos os mil discursos, boatos, blá blá furado, tenho observado como os mineiros são conscientes da relevância política do Estado na definição das eleições. Já ouvi gente dizendo que as políticas que funcionam em São Paulo ou no Nordeste não funcionariam aqui e já vi quem ainda não se conforma pela não escolha de Aécio como presidenciável do PSDB nessas eleições.... Agora acabei de descobrir um vídeo com marchinha do compositor mineiro Flávio Henrique que mostra outra faceta desse orgulho regional - desta vez, de olho em votos para Dilma, uma mineira de Belo Horizonte. Desconsiderando o mau gosto na escolha de algumas fotos, vale assistir!!

domingo, 19 de setembro de 2010

Jubileu Congonhas

Os romeiros sobem a ladeira
cheia de espinhos, cheia de pedras,
sobem a ladeira que leva a Deus
e vão deixando culpas no caminho
(...)
Os romeiros pedem com os olhos
pedem com a boca, pedem com as mãos
Jesus, já cansado de tanto pedido
dorme sonhando com outra humanidade

(Romaria, de Carlos Drummond de Andrade)

Confesso ter travado quando precisei sentar para escrever o texto da matéria sobre o Jubileu de Bom Jesus de Matosinhos - festa religiosa realizada na cidade histórica de Congonhas há mais de 200 anos. A culpa é do poeta mineiro, autor dos versos acima. Como competir com uma reportagem tão profunda e sensível como o poema Romaria? Oras – só mesmo com a compaixão da poesia pode ser possível descrever um evento que é inteiro permeado pela subjetividade da fé de gente muito simples, que chega de todos os cantos do estado em agradecimento ao Bom Jesus.

Mas, vamos lá, minha missão não era tão impossível assim. Recuperada da emoção de ter testemunhado a mesma festa relatada por Drummond na década de 30, tomei coragem para descrever o que pude presenciar em algumas horas de muito sol e tumulto. Sim, na verdade aquela era a versão moderna da celebração, com romeiros que chegam de ônibus de excursão com ar condicionado e fazem pausa nas rezas para compras de roupas e produtos chineses em feira livre lotada de ofertas.

Apesar do tempo presente, nada me pareceu mais antigo do que os chamados ex-votos: quadros, objetos, pedaços de cabelo, fotos e bilhetes oferendados por fiéis em agradecimento a uma prece alcançada. Para isso, a basílica de Congonhas abriga a Sala dos Milagres. Ali, uma exposição de ex-votos do século 18 e 19 já consagrados como obras de arte se misturam a objetos recentes, como os trazidos naquele domingo em que estive por lá. A imagem é emocionalmente muito forte – um dos bilhetes manuscritos pedia ao Bom Jesus que “meus pais encontrem harmonia e parem de brigar”. Outro quadrinho, com texo impresso de computador e foto colorida de um bebê risonho, relatava a alegria de uma mãe que passou anos e anos tentando engravidar.

Seria capaz de passar horas estudando os tais ex-votos. Mas eles não cabiam no meu tempo e tampouco na matéria. O VT de 3 minutos e pouco feito para a TV local teve que passar por uma drástica edição para caber no limite imposto pela TV Brasil. Ainda assim, segue aqui o sobrou de um cansativo e interessantissimo dia de trabalho...

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/9639/

[Imagens: Marcelo Abreu]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Este blog está vivo!

Amigos e seguidores – poucos, mas fiéis: não desistam do Tutu. Esta que vos fala está a mil por hora, mas pretende continuar registrando algumas histórias por aqui. Para um rápido comentário: hoje o Mercado Central de BH comemorou 81 anos e estive lá fazendo reportagem. Adorei reencontrar colegas da Cultura Racional – Universo em desencanto, integrantes da banda responsável pela música da festa. [Lembram do post relatando a minha inusitada descoberta sobre a existência do grupo?? Tá aqui.]

Ah, e foi a primeira vez que encarei um pedaço de bolo gigante de festa popular. O bolo tinha 450 kilos e foi servido para duas mil e quinhentas pessoas! Docinho recheado de frutas e massa tipo pulmman: nenhum espetáculo gourmet, mas tragável!

Até breve!

domingo, 6 de junho de 2010

Do Vale do Jequitinhonha















Procurei por Salinas em guias de viagem estilo Quatro Rodas. Única atração: a mardita cachaça. Mais nada. Até constrangedor.... Estou aqui desde sexta e pude ver, por poucos minutos, uma atração típica da cidade - o mercado público reúne dezenas de produtores rurais e ambulantes, com carroças carregadas de frutas e muito agito popular. Gostaria de ter aproveitado o clima, mas não tive tempo. Meu destino foi o mato próximo a um córrego do Jequitinhonha, onde parti em busca de uma nova espécie de peixe descoberta em função do monitoramento das rendondezas da gigantesca usina de Irapé. Um paiuzinho que só apareceu no segundo dia, graças à rede armada pelo nosso pescador Waldir.

Em termos de impressão geral, vejo um Vale pobre economicamente. Casinhas enraizadas no chão, ruas desertas nos povoados, famílias com crianças andarilhas nas estradas... por outro lado, parece ter muita gente ganhando dinheiro por aqui. O asfalto chega a pleno vapor, com máquinas pesadas pelo caminho; o eucalipto é uma constante na paisagem; e a usina de Irapé gera um terço da energia demandada pelo Estado. Mas ainda não sei dizer como a população da região realmente se beneficiou com a empreitada.

Eita Minas grande!!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Rios da 262

Esta é anotação de seis horas de viagem na rodovia 262, voltando de Uberlândia para Belo Horizonte. Num caso raro de dificuldade para dormir, resolvi anotar os poéticos - ou no mínimo curiosos - nomes dos rios cortados pelo asfalto. Eis o dito das placas:

- PONTE SOBRE O RIO QUEBRA ANZOL
- PONTE SOBRE O CÓRREGO COTOVELO
- RIBEIRÃO JORGINHO
- RIBEIRÃO MATADOR
- PONTE SOBRE O RIO SÃO JOÃO
- RIBEIRÃO DAS AREIRAS
- RIBEIRÃO DAS VACAS

[Vestígos das Gerais que em breve as obras do PAC podem apagar, substituindo o lirismo por nomes de doutores, desembargadores, políticos e afins....]

segunda-feira, 1 de março de 2010

BH: Ame-a ou Deixe-a










“Paixão cruel, desenfreada”. Cidadão de Belo Horizonte: você precisa amar esta cidade. Mais do que isso: você precisa provar seu amor por ela. É esta a estratégia, cercada de imperativos, que um grupo de entidades privadas e comerciais ligadas ao turismo decidiu adotar este ano para “valorizar a imagem da capital mineira”. A campanha Eu amo BH radicalmente e provo é a continuidade da ideia original, de 2006, quando o slogan ainda não se estendia ao “e provo”. Notícias, cartazes e até show gratuito no Chevrolett Hall marcaram, há um mês, a chegada da nova fase.

Assumidamente, o grande objetivo é “despertar o amor do belo-horizontino pela cidade”. Mas cá entre nós: alguém já tinha ouvido falar em campanha de turismo voltada para os próprios moradores da cidade? Estaria o amor tão sonolento a este ponto? Será que surte efeito de fato?

O engraçado é que o adesivo Eu amo BH radicalmente é mesmo um sucesso em vidros de carro, estimulando versões futebolísticas ou religiosas como Eu amo o Galo radicalmente ou Eu amo Jesus radicalmente. Talvez também entrem na onda e comecem a provar tamanha dedicação com videos, fotos e wallpapers para computador, como se vê no site da campanha.

É nessas horas que ainda me sinto uma estrangeira em Minas Gerais.

[Abaixo, video com o chefe Túlio, do bar homônimo, onde estive na sexta-feira para apresentar a autêntica comida mineira de buteco a dois paulistanos. E olha que não sou filiada do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau...]

sábado, 16 de janeiro de 2010

D. Francisca II

Não é qualquer dia que se conhece alguém com uma história como esta – digna de um conto (ou ramance?) Roseano. Em pleno Hemominas, referência em banco de sangue no Estado, encontrei Francisca Segunda. Tagarela e forte, ela é mãe da Neide, de 43 anos, que faz transfusão toda semana para tratar de anemia falciforme. Apesar do sobrenome, ela não tem nada de nobre. Contou que o “Segunda”, registrado na certidão de nascimento, é pagamento de promessa feita pelo pai.

Nas palavras simples da mulher pobre, o pai sofria com a doença misteriosa do primeiro filho, chamado Francisco, que o deixava sem movimento das mãos. No auge do desespero, prometeu a algum santo que, curado o filho, todos os outros seriam batizados de Franscisco. A reza funcionou. E logo vieram Francisco I, Francisco II, Franscica I, Franscisca II e Franscisca III. Ela me disse que era uma loucura. Para chamar uns aos outros, só usavam o “Primeira!”, “Terceira!!”. Hoje, que as irmãs já morreram, fica mais fácil identificar-se como Franscisca. E pronto.

Dá pra acreditar? Enquanto isso, a filha Neide, nascida com a triste doença que a faz morrer de dor nas articulações e perder a visão paulatinamente, precisa mesmo é de sangue. Promessas não levam a muita coisa.

[Em breve, posto uma foto da dona Fransisca por aqui....]

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010: Respire fundo

Então é Ano Novo. Primeiros dias de algum tempo livre para tomar fôlego antes do longo mergulho nas profundezas de 2010. Claro, sempre é possível espiar da superficie... mas bom mesmo é assumir o risco do novo, da descoberta, da surpresa. E poder ir longe.......

**

Não estive em Belo Horizonte durante os desastres provocados pelas chuvas da virada. Passado o temporal, reina agora o calor e a paz típica de janeiro. Trânsito tranquilo, centro mais calmo, comércio esvaziado. A cidade vira outra. Mas ainda nada parecida com a antiga vida urbana da década de 40...

Parque Municipal e Palácio da Liberdade sem grades. Ruas com bondinhos e poucos automóveis. Muitos pedrestes. Complexo da Pampulha dedicado ao lazer. Grandes cinemas no centro da cidade. Essas cenas quase idílicas da primeira cidade planejada do Brasil estão registradas em um documentário de 1949 gravado pelo Escritório de Serviços Estratégicos do governo dos EUA. A fonte, claro, é suspeitíssima. Mas o conteúdo é impagável! No Youtube, o vídeo está dividido em duas partes. A primeira fala especialmente do crescimento da indústria de Minas Gerais, impulsionada pela exploração de ferro. Itabira aparece como um novo e grandioso pólo, de onde partia a construção da ferrovia (...). E as pedras preciosas também surgem como protagonistas do interesse norte americano por este “povo amigável”.

Mas a parte dois é ainda melhor. Ali, BH aparece em lindas imagens em preto e branco, com destaque para a vida boa e os lugares frequentados pela elite já consolidada da época: casas espaçosas, escolas particulares [Santo Agostinho e Colégio Arnaldo, onde Drummond estudou], o Iate Clube e a Casa de Baile, na Pampula, o Minas Tênis Clube...

Enfim, vale a pena sentir a brisa nem tão antiga daquela capital planejada e sonhada pelos “Pais Fundadores” nas enconstas da serra do Curral, então com 2,3 milhões de pessoas... São 8 minutos de uma viagem ao tempo que ainda merece ser melhor compreendida como peça de propaganda política.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Eu vi o Celton!














Lacarmélio Alfêo de Araújo. Só pelo nome, já seria uma figura. Mas este mineiro de Mantena vai longe em suas particularidades – desde a década de 80, ele próprio vende os quadrinhos que desenha. Onde? Nos semáforos engarrafados de Belo Horizonte, com uma placa gigante e os simpáticos dizeres:

Leia Celton
Estou vendendo revistas em quadrinhos que eu mesmo fiz. Neste número: O Motoboy.
R$ 2,00 – 32 páginas

Segundo o próprio Lacarmélio – que também atende por Celton, o nome do herói das suas histórias – a fórmula da venda nas ruas é a que “finalmente emplacou a revista”. De tão pitoresco, já é visto por alguns cidadãos como patrimônio cultural mineiro. Bem, não é a toa que vibrei de felicidade ao encontrar o sorridente moço de 37 anos correndo na av. Senhora do Carmo e conseguir comprar a edição atual, voltada para o público infantil – A Mão da Mamãe. Tenho comigo outra revista, Mistério da Caverna, em edição especial distribuida gratuitamente pela Petrobras.

Bastante ingênuas do ponto de vista do conteúdo e simples graficamente, o grande barato de Celton não está exatamente no trabalho artístico. O lance é o contexto das aventuras do herói, todas ambientadas nas proximidades de Belo Horizonte – Serra do Curral, Estrada Real, Rio das Velhas, Sabará e av. Silviano Brandão são alguns dos cenários onde se as aventuras se desenrolam. Não deixa de ser divertido reconhecer algumas dessas paisagens, ruas e placas de trânsito... Recomendadíssimo!

E já que a alegria do rapaz é mesmo contagiante, escolho esta figura tipicamente mineira (e nada Finlandesa) para desejar a todos os amigos do Tutu um lindo Natal! Um grande abraço e até logo, logo...

*Olha que coisa, Celton está também na Wikipédia!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paulistanices














Já me disseram que o termo “mineirice” pode soar pejorativo. O bonito, por essas bandas, é cantar a “mineiridade”. Bom lembrar que, ao menos no conceito deste espaço virtual, mineirice não tem nada de ruim. Pelo contrário: serve para traduzir peculiaridades, traços marcantes, curiosos, únicos. Por essas e outras, tenho encontrado uma verdadeira paixão como “caçadora de mineirices”.

*

Desta vez, inverti a ótica do binóculo. Neste rápido e frenético fim de semana em São Paulo, identifiquei algumas “paulistanices” que começam a ganhar nitidez...

- Só numa mega capital como São Paulo há tanto dinheiro em jogo a ponto de transformarem a decoração de Natal da av. Paulista na competição “Quem ilumina mais?”. Vejo claramente a inveja empresarial correndo solta – do prédio da Fiesp ao Banco Real, o discurso da sustentabilidade vai por água abaixo no gasto de energia com milhões de lâmpadas formando designs variados. Do brega ao chique, o que vale é ostentar. O extremo disso é constatar o trânsito da 1 da madrugada no domingo. Filas de carros e muita gente nas calçadas faz visita aos vários papais-noéis moradores de bancos. Estranhos tempos.

- Já viu três, quatro ou cinco seguranças vestidos de terno preto e munidos de radio-comunicadores em frente a prédio de classe média? A obsessão pela “segurança” pode mesmo não ter limites. Mesmo quando o salário do condômino não é lá essas coisas, ter homens de preto na porta do prédio virou padrão. [Enquanto isso, em BH a preferência é pelo sistema de alarme.... Lembra do post mais polêmico deste Tutu?]

- Shopping é praia de paulista e ponto final. Ao invés da tradicional praça de alimentação, os novos shoppings têm espaço para verdadeiros restaurantes internos, onde o ambiente simula um conforto distante da caustrofóbica realidade externa. Mas a ilusão dura pouco. Acabado o almoço, é hora de pegar fila para o elevador panorâmico e, em seguida, fila para pagar o tíquete do estacionamento. Pensando bem, as filas não acabam mais...

[Foto do Estadão, que acompanha matéria sobre o novo turismo de Natal em tempos de crise...]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Desfazendo a mala

Hora de criar coragem para esvaziar a mala de 10 dias de viagem por Minas - com gravações em Viçosa (de novo!!), São João del Rey, Barbacena e Lavras (duas novatas no meu passaporte mineiro). Mas acabo de decidir adiar meia hora desta bendita "hora da coragem" e dividir com vocês parte dos cacarecos e das descobertas que trago desses outros lugares/ outras cidades quase invisíveis...












Rosa geneticamente modificada - Barbacena













Suntuosa flor tropical: Bastão do Imperador - SJDR












Remédio popular do camelô - Barbacena













Paisagem barroca - SJDR

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Diálogo caipira

Conversação digna de nota. Literalmente, anotada em papel rascunho durante viagem desta que vos escreve a bordo do ônibus de Alfenas a Passos, Minas Gerais. Claro, aqui se registra a fala de apenas um dos interlocutores. Homem moreno, alto, de bigode, cabelos enrolados. Tema_ o que faz mais mal? Cigarro ou pinga?

- O cigarro faiz mai mar que a pinga. Já pelejei pá largá i num cunsigui.

- ....

- Essa pinga marela mermo eles põe pó di serra pá ficá marelo. Num tem jeito, não.

- ....

- Agora, essa rosera é milhor que a di garrafa. Pá quem tem ressaca, oce pode tomá que ela num dá ressaca. Eu nunca tive ressaca.

- ....

- Agora que eu larguei a pinga eu levo a cumida pra roça e ela volta todinha. Comida isfrio num vale pá mim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Minas sem fim...

Este mês volto a encarar as estradas de Minas. Justamente quando pensava que os temas jornalísticos de ciência e a tecnologia não me apresentariam novas cidades no Estado, eis que a produção do programa traça um roteiro com algumas novidades: Andradas e Barbacena. Passei as duas últimas noites em Andradas - 6 km de São Paulo. Nem preciso dizer que o "r" carregado é totalmente diferente do "r" mudo dos belo-horizontinos... Mais um canto afastado das influências da capital mineira - jornal, só o Estado de S. Paulo. Times de futebol? Nem sombra de pena de galo ou rastro de cruzeiro no céu. O mais engraçado é o motivo da viagem: produção de flores! Sabia que Andradas está a caminho de se tornar uma nova Holambra?

Mas a viagem prossegue. Por conta própria, saltei em Poços de Caldas a caminho de Passos, cidade da minha avó. São 300 quilômetros suados de ônibus, num pára-pára interminável! Sem ônibus direto, vim para Alfenas - ainda no sul. Aqui, pit stop para lanche e lan house. Em 15 minutos encaro mais algumas horas até meu destino final.

No ônibus, flagrei uma conversa ótima entre dois homens da roça. Queria compartilhar, mas meu tempo é pouco por aqui. Fica para a próxima.... Abraços a todos!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Esquina mineira

* Estranha conclusão recente: a night mineira é basicamente composta de covers – em especial aquelas que se tornam fiéis a músicas de uma única banda. Fazem sucesso estrondoso de público e têm lugares garantidos em casas noturnas. Levei um susto quando uma amiga me chamou para sair com a frase: “Vai rolar Barão.” “Barão Vermelho?!!!”, retruquei, curiosa. “É... o Carne Nua”. [Que depois de anos e anos na noite mineira começa a se apresentar com composições próprias, intercaladas com os tais covers, como eu mesma pude conferir.....] Já estou sabendo de outras bandas, com nomes que evitam o ruído na comunicação: The Doors Cover, Sargent Peppers e o Creedence Cover, só para ficar no rock'n roll. Um fenômeno que merece ser estudado com mais profundidade...

* A pracinha redonda gramada que funcionava de rotatória para carros no Luxemburgo foi extinta esta semana. Com novos semáfaros, tudo indica que o trânsito realmente vai melhorar. Mas não é que, no meio das obras públicas desta semana, o dono de uma Kombi branca ligou uma caixa de som externa ao carro para tocar Ave Maria de Franz Schubert no último volume? Eram exatamente seis da tarde.

* Em OBar, no bairro Funcionários, os clientes vão encontrar uma máquina descartável no banheiro feminino que pode ser usada anonimamente. Trata-se de projeto de um coletivo de arte que, depois de uma temporada, vai exibir as fotos mais criativas feitas dentro da cabine “privada”. [Se alguém souber o nome do coletivo e do site, me avise... Perdi o flyer!]

!Buen fin de semana a todos!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Inverno quente















Não é primeira vez que aviso no Tutu: festivais de inverno são os melhores momentos para se conhecer e visitar o circuito das cidades históricas. Minha "primeira vez" em Diamantina foi assim, em 2001. Entre Chicas da Silva, Juscelinos e Vesperatas, encontrei Wisnik e Elza Soares. De manhã, tarde e noite, era fácil trombar com alguma apresentação pública de teatro ou música, normalmente durante o encerramento das dezenas de oficinas que acontecem ao longo do mês de julho. Alunos, professores e grandes artistas sofriam juntos nas subidas e descidas das ladeiras barrocas: talvez um símbolo da "horizontalização" dos egos e da preocupação dos organizadores do festival em manter a coerência com a ênfase na formação. [Um pouco diferente do clima da FLIP, não é mesmo, Zeca??]

Meu sonho ainda é ter férias em julho para fazer oficinas e me sentir um pouco moradora nestas cidades. Conheço uma turma de pessoas ao redor dos 30 anos que, quando adolescentes, viveram exatamente isso na época áurea do festival da UFMG, ainda sediado em Ouro Preto. [Nesta matéria descobri que a Federal foi a primeira a lançar festivais de inverno, em 1967. E que a última “temporada” em Ouro Preto terminou em 1999, dando origem aos festivais da própria prefeitura municipal, da UniBH e da UFOP.]

Este estilo de organização de evento parece mesmo ter caído na graça dos mineiros. Segundo esta nota publicada no Overmundo, a onda se espalhou pelos quatro cantos do estado – até os de Juiz de Fora e de Araçuaí, que não têm lá um apelo histórico junto aos turistas, já estão consolidados.

**

Tudo isso para dizer que este post veio tarde: os festivais estão na rapa do tacho. Os principais terminam dia 30 de julho. Mas ainda dá tempo de sentir a brisa fria da cultura desses lugares. Os sites trazem toda a programação. Seguem os meus destaques:

Ouro Preto

Sexta-feira
22h - Show Marina Machado – Tempo Quente
Praça da UFOP

Sábado
20h30min - Show Kristoff Silva – O grão da voz
Teatro Ouro Preto – Centro de Artes e Convenções da UFOP

24h - Show Zé da Guiomar (Samba)
CAEM – Praça Tiradentes

Diamantina

Sábado
22h – Grupo Voz & Companhia - Circo Místico
Teatro do Instituto Casa da Glória – IGC/UFMG

Domingo
21h - Grupo Galpão - Till, A saga de um herói torto
Praça Dr. Prado

domingo, 19 de julho de 2009

E assim se fez o queijo...














Seu João e dona Maria. Uma fazendinha de trinta vacas e trinta lindos queijos amarelos por dia. Bem mineiramente, os dois receberam a equipe da TV às 6 horas da manhã – quando a lua cheia e o frio da Serra da Canastra ainda demarcavam o território da noite. Assim começava a maratona da produção do queijo – um dos poucos legalizados em todo o estado, com a certificação do IMA. Isso quer dizer que o rebanho é sadio, as instalações da fazenda estão adequadas e, claro, o queijo é feito em local higiênico.

Mas não é só isso. Para se enquadrar na única lei do país que permite a comercialização do produto artesanal a partir do leite cru, dona Maria precisa tomar vacina contra tuberculose e não pode estar gripada. Sem contar que, duas vezes por dia, ela só começa a “pôr a mão no coalho” depois de tomar banho e trocar de roupa, tendo que vestir galochas brancas, avental e máscara. Até a água usada na limpeza da bancada da queijaria agora é filtrada e tratada.

Esses são apenas alguns dos “detalhes” aos quais a propriedade de seu João precisou se enquadrar. Por lá, a antiga queijaria virou depósito de milho. Ele mesmo sente vergonha de mostrar que, por força da tradição e da falta de conhecimento, era difícil levar a higiene muito a sério.

Depois de freqüentar cursos de treinamento, a família fez as reformas que cabiam no orçamento, aos poucos. E, por incrível que pareça, eles ainda não tiveram retorno financeiro do investimento: ainda tem muito produtor rural vendendo queijo feito em péssimas condições. Para ser explicita, quase todos os queijos que encontramos no Mercado Central estão com altos índices de coliformes fecais e bactérias nocivas à saúde. Mesmo assim, diz ele, “a melhor coisa é estar em paz com a consciência”. [E claro que o queijo é uma delicia!]

***

O Planeta Minas sobre tecnologia do Leite vai ao ar só no dia 26 de julho. Mas desde já espero que os amigos passem a se preocupar bem mais com a origem do famoso queijo antes de consumi-lo: na embalagem, procurem pelo número de certificação junto ao IMA. Talvez saia um pouquinho mais caro – mas vale a pena, não?

[* Aqui, post antigo e ingênuo sobre o Mercado Central, ainda com as frescas impressões de uma recém-chegada em Minas....]

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ET de Varginha


















Um avião? NÃO! O Super-Homem? NÃO! Um disco voador? SIM!!

O diálogo, que poderia partir de algum turista recém chegado em Varginha, é factível. O espanto, claro, pode ganhar contornos mais acentuados quando o turista é originário de outro estado do país e nunca tinha visto fotos com os destaques da paisagem local.














Queira ou não queira, você está na cidade do ET. Acho engraçado imaginar que os mineiros, tão discretos por natureza, tenham a audácia de apoiar gastos públicos na construção de ao menos cinco momentos dedicados a seres interplanetários. Além da incrível nave mãe, uma praça central da cidade preferiu ceder o pedestal normalmente dedicado a figuras ilustres da política e cultura da região a DOIS suntuosos monstrinhos de três dedos e olhos vermelhos. Um deles, coitado, foi “vandalizado” por pichadores.

A febre em torno da mitologia tem até espaço no site oficial da prefeitura. Um ícone do ET [à direita] leva a texto atribuído à assessora de comunicação do município introduzindo o relato de um conhecido ufólogo. “O aparecimento de um ser extraterrestre - visto por três garotas, presenciado por policiais e estudado por ufólogos - só não ficou comprovado porque existe interesse, por parte não se sabe de quem, de que a história seja acobertada.” GENTE!

Divertido também foi descobrir, aos poucos, os diversos estabelecimentos comerciais que usam logotipos e marcas referentes ao ilustre visitante da cidade. Uma lanchonete decidiu dar boas vindas aos clientes vestindo o bicho de garçom! Seria o que chamam de marketing agressivo?

Brincadeiras a parte, realmente gostaria de ouvir relatos por parte de moradores de Varginha sobre o peso da lenda – ou fato, claro – na formação do imaginário da cidade. Grande pólo educacional e produtor de café, aposto que não faltam elementos valiosos na composição da identidade daquela população. Resta entender o porquê da opção pelo viés alienígena....

terça-feira, 14 de abril de 2009

Encontro marcado

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Alegria imensa topar com uma fração de texto tão consagrado no contexto original da obra. Uma entre as várias preciosidades que tenho garimpado ao longo do caminho pelas páginas do Grande Sertão de Guimarães Rosa. Jeito bom de rimar paisagens reais com relatos fictícios por esta aventura de quase um ano nas estradas de Minas.

terça-feira, 31 de março de 2009

Balaio de Minas

Oba! O programa de Astronomia do Planeta Minas Ciência e Tecnologia vai ao ar nesta terça-feira, às 21h40, com reprise sexta, às 13h30, e sábado, às 18h30 – só para os que estão em cidades mineiras com sinal da Rede Minas (Canal 9 e Canal 20, na TV a cabo). Os amigos de outros Estados ficam com este prêmio de consolação: alguns bastidores dos cenários inesperados que encontramos ao longo de quase 15 dias em viagens.

Itajubá














- Onde fica o restaurante sem nome?

- O Sem Nome? Entra à direta e vire à equerda.


Diálogo insólito, porém real. O dito sustenta com requinte a denominação “Sem Nome”, como comprova a foto. Segundo restaurante mais requintado da cidade, acreditem, oferece um menu de comida mais paulista que mineira, com suculentos pedaços de baby beef à gosto do freguês. Jantei por lá três noites seguidas, feliz em ter encontrado um lugar sem nome, porém com sabor.

Brasópolis

















A neblina atrapalhou parte das gravações e acabou com as esperanças de enxergar algum astro no Espaço. Mesmo assim, conhecer o maior observatório em solo brasileiro foi uma experiência interessantíssima. Entre uma cúpula e outra, no entanto, a grande recomendação dos pesquisadores é olhar o chão: em meio a uma reserva ambiental, com lírios selvagens que ultrapassam minha [pouca] altura, o Pico dos Dias é lugar cativo de variadas espécies de cobras.

Cristina












Todos os caminhos levam a Cristina, onde águas gasosas cortam ruas e dividem a existência dos moradores. Pelas vielas baixas da cidade verde, ainda circulam forasteiros e mensageiros em busca da dama que deu nome ao vilarejo. Cristina, dizem outros, é o sonho inebriante da fortuna e do amor: uma cidade sem saída.

Cambuquira













Fomos os últimos hospedes “leigos” do Grande Hotel Trilogia, antigo Grande Hotel Empresa. A verdadeira concretização do tabuleiro do jogo Detetive: salão de jogos, de festa, de música, de jantar.... Fundado na década de 20, o hotel acompanhou o auge da estância hidromineral, no sul do Estado. À época, socialites de todo o país lotavam a cidade em busca de tratamentos de saúde que utilizam água mineral. E não só isso: a Cambuquira era famosa pelos cassinos.

Com o fim do jogo, o hotel entrou em decadência, faliu e ficou fechado por vinte anos até ser comprado por fundadores da Trilogia Analítica – “uma linha de psicanálise fundada na ciência, na filosofia e na espiritualidade”, segundo definição do próprio grupo. Reformado, passou a abrigar encontros internacionais dos participantes. E também já recebeu uma frutífera visita de caçadores de fantasma dos EUA, que filmavam um documentário sobre o tema. Por sorte, não tive encontros de terceiro grau: mas basta fechar os olhos e imaginar centenas de hóspedes e funcionários percorrendo corredores, tocando piano, jantando, dançando. De arrepiar.