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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma & Eu

UFA, ufa, ufa. Dilma lá! Durante a comemoração de ontem, a primeira frase aos amigos que encontrava era “Não acredito!!..” Mulher na presidência? Com o Brasil conservador e preconceituoso que se revelou nessa campanha?... É com felicidade que constato como a maioria dos brasileiros teve garra para enfrentar os boatos e as guerras virtuais fundadas na baixaria votando na candidata capaz de dar continuidade ao projeto político iniciado com Lula. Um projeto de desenvolvimento econômico voltado para a inclusão das pessoas, pelo respeito aos movimentos sociais e aos direitos humanos.

Ufanismos a parte, também fiquei feliz por ter tido a chance de conhecer os bastidores das notícias na reta final da eleição. Escalada para a carreata de Dilma em Venda Nova, região norte e relativamente pobre da cidade, vivenciei a loucura de estar entre dezenas de repórteres colados na candidata. Organizados por uma simpática e descolada assessora de imprensa, ficamos plantados em frente à lagoa da Pampulha em posição de ataque. Mas o atraso foi de pouco mais de duas horas. No estresse geral, acabou sobrando tempo para conversa furada (“bonito seu sapatinho!..), para alguma ginástica laboral e espiadas no texto da passagem do colega.

Até que a mulher chega. E entra pelo lugar errado, colada em um monte de brucutu – entre eles, um empurrador e cotovelador profissional. (Se eu fosse repórter da Piauí faria um perfil daquele alemão. Cara bizarro....). foi A ZONA. De nada valem as organizações amigáveis feitas anteriormente. Vira a guerra. Fui sufocada e tive que achar um espaço mínimo entre um sovaco e um pescoço. No meio da gravação - na qual a candidata fala o que quer, uma vez que dez perguntas são feitas ao mesmo tempo – passo o microfone para um colega. A mão não alcançava mais.

Repentinamente, Pimentel aparece arrancando Dilma do bolo. Seguem voando para poucos quilômetros dali, onde começaria a carreta. Vamos atrás. Fiz a loucura de subir no caminhão que vai em frente ao carro de Dilma, montado especialmente para os cinegrafistas e fotógrafos. Incrível ter saído viva de lá. Mas foi surreal. Em constantes freadas buscas, o motorista fazia a turma cair feito dominó – primeiro um, depois os outros. Os alambrados eram todos meio soltos, perigo total. Sem contar o sol escaldante.... (só um felizardo teve a ideia de levar guarda-chuva para tapar o sol). O fotógrafo da UOL cansou do caminhão e pulou de lá de cima com o bicho em movimento. Para completar, no final da carreta, o carro de Dilma virou para a esquerda e nosso motorista seguiu reto. Foi a revolta geral, com gente enxergando uma pegadinha na estratégia.

Esta é a cobertura da qual mais me arrependo por não ter gravado os bastidores.
Ainda mais sabendo que estávamos na cola da agora presidente de Brasil.

A matéria aproveitada pela TV Brasil não conta nem um segundo desta história. Mas serve de souvenir.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Humor e eleição

Muito trabalho e pouca festa, os males do Brasil são.
Em época de estresse pré-eleição, recebi uma das melhores piadas com Dilma e Serra. Compartilho!

Serra e Dilma respondem: “Por que a galinha atravessou a rua?”


Dilma Rousseff: “No que se refere ao fato de a galinha ter cruzado a rua, eu considero que este é mais um ganho do governo do presidente Lula. Eu considero que foi apenas depois que o presidente Lula me pediu para coordenar o PAC das Ruas é que as galinhas no que se refere ao cruzamento das ruas tiveram a oportunidade de poder cruzar as ruas, coisa que, aliás, só as galinhas com maior poder aquisitivo podiam no governo FHC, no qual o meu adversário foi ministro do Planejamento e da Saúde”.

José Serra: “Olha, este é mais um trolóló da campanha petista. Veja bem, as galinhas cruzam as ruas no Brasil, há anos. Eu mesmo coordenei a emenda na Constituição que permite o direito de ir e vir das galinhas. Eles ficam falando que foram eles que inventaram esse cruzamento de ruas, mas já no governo Montoro, quando eu era secretário do Planejamento, as galinhas cruzaram as ruas com maior segurança. Eu, por exemplo, criei o programa Galinha Paulistana, que permitiu que milhares de galinhas pudessem cruzar as ruas e, agora no meu governo, vou criar o “Galinha Brasileira”, em que toda galinha terá direito de cruzar as ruas quantas vezes quiser “.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Minas e a Política....

Com todos os mil discursos, boatos, blá blá furado, tenho observado como os mineiros são conscientes da relevância política do Estado na definição das eleições. Já ouvi gente dizendo que as políticas que funcionam em São Paulo ou no Nordeste não funcionariam aqui e já vi quem ainda não se conforma pela não escolha de Aécio como presidenciável do PSDB nessas eleições.... Agora acabei de descobrir um vídeo com marchinha do compositor mineiro Flávio Henrique que mostra outra faceta desse orgulho regional - desta vez, de olho em votos para Dilma, uma mineira de Belo Horizonte. Desconsiderando o mau gosto na escolha de algumas fotos, vale assistir!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Arte e Protesto















Não é a toa que as imagens de uma turma de sunga e biquini na praça da Estação, centro de BH, tenham se disseminado com tanta força entre blogs e sites nacionais. Mais do que uma cena insólita, tratava-se de um protesto – e bastante sério, do meu ponto de vista. Os manifestantes alertaram muita gente sobre o decreto recém assinado pelo prefeito Márcio Lacerda que proibe a realização de qualquer evento no local. Ou seja: esqueçam tanto os megashows com Fernanda Takai, Mart´nália ou Milton Nascimento quanto as comemorações de datas festivas como a Arrial de Belô e as apresentações do tradicional Festival Internacional de Bonecos (já relatada em fotos neste Tutu).

Ué! De que serve então aquele espaço enorme e sem sombra? Será que os casos de vandalismo são realmente significativos para justificar medida tão extrema?

Confesso que, se não fosse pela divertida mobilização “praiana”, eu mesma não teria dado atenção dediva a estas questões. É por isso que também vejo o protesto do sábado como uma performance artística – na qual os “performers” são, acima de tudo, cidadãos. Desde meus áureos tempos de trabalho no Instituto Pólis, já percebia que a mobilização política efetiva não poderia abrir mão destas novas manifestações. Foi assim que artistas e militantes sensibilizaram a sociedade sobre o drama das mais de 400 famílias ameaçadas de despejo no edificio Prestes Maia [como o ACMSTC]; foi assim que os riscos da “revitalização” do centro promovida pelo subprefeito da Sé vieram a tona [como no ato de escracho em pleno Morumbi...].

O melhor de tudo é que estes atos ainda podem ser muito divertidos.

E vamos aguardar o desenrolar do destino da praça da Estação! Até lá, os artistas mineiros contiuam mobilizados para transformá-la em clube público - Clique aqui para ver o engraçadíssimo video/teaser de chamada para mais atos neste e nos próximos sábados....

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Minas no CQC

O formato estilo show/ auditório exportado pelo CQC da Argentina – dono da versão original do programa – beira o cansaço. Câmera nervosa, cortes excessivos, brincadeirinhas “over” por parte dos apresentadores e merchandising infantilizada são os principais pontos fracos do programa da BAND. Mas a liderança do brilhante Marcelo Tas, a perspicácia e o preparo do time de repórteres e a edição impecável – contando com as divertidas artes – apontam, enfim, para a inovação no campo da mistura entre jornalismo e entretenimento. Nosso Custe o Que Custar vem acertando o tom desde a estreia, em março deste ano.

O quadro Proteste Já é meu favorito. A proposta é conferir, in loco, alguma denúncia de mau uso do dinheiro público encaminhada pelos telespectadores – falta de entrega de uniformes escolares, obras abandonadas, obras nunca realizadas, etc. As matérias são muito bem conduzidas, ricas em personagens, e sempre correm atrás da embaraçosa retratação por parte das administrações locais. O saldo positivo da experiência está em aproximar a politica das pessoas, mostrando o quanto ela afeta nossa realidade e, por isso mesmo, deve ser fiscalizada. Genial!

A motivação deste post é o video exibido no programa desta semana, dia 19 de Outubro. A tecnológica Itajubá, no sul de Minas, onde já estive três vezes a trabalho, foi a bola da vez. Denúncia: unidade móvel de saúde totalmente abandonada pela prefeitura municipal. O argumento é que o ônibus entregue com recursos do Ministério da Saúde se mostrou inviável para utilização devido às proporções e dependência de tomadas de energia elétrica (!!). Mas não houve como evitar o constrangimento. Confira!



Aqui, alguns relatos e fotos de Itajubá.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mostra Circuitos Compartilhados








Sou assinante antiga da newsletter do Cine Humerto Mauro, do Palácio das Artes, mas nem sempre leio as mensagens. Hoje, por uma incrível coincidência, abri o email. Adivinha? Meu nome estava lá, na ficha técnica da programação de filmes que acontece de 16 a 22 de março, durante a Mostra Circuitos Compartilhados!

Explicando: colaborei como entrevistadora em um dos vídeos produzidos durante a ocupação do edifício Prestes Maia pelo Movimento Sem Teto do Centro, em São Paulo, no ano de 2005. Ocupar, Resistir, Construir, Viver traz depoimentos de moradores na iminência de um despejo violento e integra o documentário Política do Dissenso, coordenado por Túlio Tavares e composto por uma dezena de outros registros artísticos. O trabalho, por sua vez, faz parte de uma coleção de 35 DVDs chamada Circuitos Compartilhados.

O convite, portanto, não é apenas para a Programação 5. Mais informações ficam por conta do release que, felizmente, não deletei.

MOSTRA CIRCUITOS COMPARTILHADOS
O Cine Humberto Mauro apresenta entre 16 e 22 de março, a mostra Circuitos Compartilhados. Fruto de pesquisa iniciada em 2000 pelo artista curitibano Goto, a mostra teve sua estréia em 2005, em Curitiba, com o nome Circuitos em Vídeo. O contexto associa-se às práticas dos coletivos de artistas, arte de ativismo cultural, ações colaboracionistas em arte e espaços alternativos, ou seja, diversos tipos de iniciativa em que o artista se coloca não só como o realizador da obra, mas como mediador do diálogo desta com o público.

O acervo do projeto reúne 150 coleções com 35 DVDs cada, 44h35'25'' de programação, com 225 títulos em vídeo e filme associados a 87 ações de circuitos artísticos ocorridos no Brasil entre os anos 70 e a atualidade, organizados em 20 programas. O processo curatorial para a mostra de Belo Horizonte, ficou a cargo de Bráulio Britto Neves, pesquisador de cinema, documentarista e integrante do coletivo Ystilingue.

PROGRAMA 1 | 115'
Cildo Meirelles | Wilson Coutinho, RJ, 1979, 11'
Parangolé | Cuquinha, RJ, 2002, 7'
Arquivo Bruscky | Paulo Bruscky, 97'

PROGRAMA 2 | 105'
Povo do Botão | epa!, Goto, Cinema Sensível e ASSINTÃO, 80'
Um registro de Constatação de Arte no projeto NBP de Ricardo Basbaum | Wagner e Pedro Vasconcelos, ES, 1994, 14'
O Marchand | Ricardo Ramalho, SP, 2005, 3'07''
O Curador | Ricardo Ramalho, SP, 2005, 2'33''
O Colecionador | Ricardo Ramalho, SP, 2005, 6'
O Artista | Ricardo Ramalho, SP, 2005, 3'02''
O Marchand Discute Projeto do Artista | Ricardo Ramalho, SP, 2005, 5'09''

PROGRAMA 3 | 110'
Corpos Informáticos 1 | GPCI, DF, 1993, 41'
Corpos Informáticos 2 | GPCI, DF, 1993, 48'
Toscolão | Orquestra Organismo, Glerm Soares e Vanessa Santos, PR, 2007, 12'13''
Novas Bases Instrumentais | Orquestra Organismo, Glerm Soares e Vanessa Santos, PR, 2007, 1'43''
Sobreloja 35 | Ystilingue, MG, 2008, 6'


PROGRAMA 4 | 110'
MIP - Manifestação Internacional da Performance | Marcelo Terça-Nada, MG, 2003 - 2005, 80'
Fogo Cruzado | Ronald Duarte, RJ, 2002, 4'38''
O Q. Rola Você V. | Ronald Duarte, RJ, 2001, 4'45''
EIA - 2005 | EIA, SP, 2005, 23'

PROGRAMA 5 | 105'
O Homem Invisível - O Objeto Invisível | Túlio Tavares, Ricardo Basbaum, SP, 2000, 9'22''
ACMSTC - Arte Contemporânea no Movimento dos Sem-Teto do Centro - Catadores de Histórias | Túlio Tavares, SP, 2003, 18'20''
Bandeira | Rodrigo Araújo, SP, 2005, 3'34''
Ocupar, Resistir, Construir, Viver | Túlio Tavares, Antonio Brasiliano, Júlia Tavares, SP, 2005, 5'46''
Sábados Culturais | Túlio Tavares, SP, 2005, 4'20''
Dignidade | Coletivo Elefante, SP, 2005, 2'10''
Plínio Ramos, 82 | Chico Linares, Melina Anthis, SP, 2005, 11'43''
A Reunião Com a Polícia | Túlio Tavares, Flavia Sammarone, SP, 2005, 7'11''
Visite a Biblioteca Prestes Maia | Túlio Tavares, Mariana Cavalcante SP, 2006, 13'21''
Eletrocardiograma Social do Centro - Mapeamento das Ocupações | Túlio Tavares, Antonio Brasiliano, SP, 2006, 2'27''
Eliot&Sica | Eliot e Sica, SP, 2006, 40''
Manifestação dos Artistas | Túlio Tavares, Flávia Sammarone, Alexandre Rüger, SP, 2006, 7'58''
Território São Paulo - Sala Especial da Bienal de Havana | Túlio Tavares, Antonio Brasiliano, Eduardo Verderame, SP, 2006, 5'01''
14 Vernissage | Túlio Tavares, Flávia Sammarone, SP, 2006, 4'58''
468 | BijaRi, SP, 2006, 5'20''

PROGRAMA 6 | 110'
Palíndromos | Luís Andrade, RJ, 2001, 23' 32''
Conserto_Polavra | Sálvio Nienkötter, Orquestra Organismo, Vanessa Santos, PR, 2007, 6'14''
Infração: Consumo de Imagem | Marssares, RJ, 1998, 2'39''
O Mar, a Escada e o Homem | Rosana Ricalde, Felipe Barbosa, Fernando Baena, RJ, 2002, 6'20''
Divisória Imaginária | Grupo Urucum, AP, 2003, 7' 05''
Pastor Robson | Ricardo E. Machado, PR, 2000, 32'
Problemas de Linguagem e Pontuação | Hélio Fervenza, SC, 2005, 3'32''
Endereçamento: Vendo a Vista | Maria Ivone dos Santos, SC, 2004, 7'50''
Free Time | Daniele Marx, Mojácar, Espanha, 2005, 9'08''
Reservado | Reserve, Glaucis de Morais, França, 2003, 3'59''
Go to the Window and Look | Cláudia Zanatta, SC, 2005, 7'06'

PROGRAMA 7 | 120'
Desenhando no Vento | Poro, MG, 2005, 6'
Leve | Brígida Campbell, MG, 2004, 3'
Rua Imagem Espaço | Poro, MG, 2003, 7'
Sightlines | Doung Johangeer, Brasil / Durban - África do Sul, 2005, 20'43''
3 Healers | Owen Oppenheimer, Durban - África do Sul / Londres, 2004-2006. 20'28''
L'avancée | Nesrine Khodr, MG / Beirute, 2005-2006, 13'52
Simunye | Joacélio Batista, Durban - África do Sul / Brasil, 2004-2005, 2'07''
Paralelo 30 | Joacélio Batista, Durban - África do Sul / Brasil, 2004-2005, 11'43''
Movimentos Leves | Marco Paulo Rolla, MG, 2006, 6'43''
Atravessando uma Porta | Marcos Hill, Durban - África do Sul / Brasil, 2004-2006., 21'55''

PROGRAMA 8 | 115'
Titá cum Pintão | Família Freitas Tavares, SP, 1994, 1'43"
Menossi, o Agente Federal | Ricardo Ramalho, SP, 2003, 2'45"
Entre estas Coisas Chamadas Obras de Arte | Túlio Tavares, Rafael Adaime e Ricardo Basbaum, SP, 2005, 1'55"
Quem é Menossão? | Túlio Tavares, Eduardo Verderame, Bruna Tavares, SP, 2002, 1'40"
Glória in Menossis | Túlio Tavares, Silvio Tavares e Eduardo Verderame, SP, 2003, 2'45"
Saddan Menossi | Túlio Tavares, Giuliano Scandiuzzi, Peetssa, SP, 2003, 5'40"
Bruna e o Parangomonstro ou Amor Divino | Túlio Tavares, Bruna Tavares e Eduardo Verderame, SP, 2003, 2'43"
ARTSHOP | Túlio Tavares, Ricardo Ramalho e ARNSTV, SP, 2003, 2'40",
As Chaves Certas que Abrem as Portas Certas | Túlio Tavares, Nicolau Sevcenko e Rodrigo Barbosa, SP, 2003, 5'08"
A Materialização do Menossi no Início do Milênio | Túlio Tavares, Eduardo Verderame, Zeca Baleiro e Catatau, SP, 2003, 2'19"
A Lenda de Menossão | Antônio Reis Junior, Sebastião Cirílo, Túlio Tavares, SP, 2003, 5'40"
Despejados do Mundo | Túlio Tavares, Eduardo Verderame e Nicolau Sevcenko, SP, 2003, 3'37"
Artistas Federais no Blem Blem | Ricardo Ramalho, Túlio Tavares, Daniel Lima, ARNSTV, SP, 2003, 2'
Picasso Nem de Graça | Túlio Tavares, Eduardo Verderame, Milton Neves, SP, 2003, 2'
Menossi para Prefeito da Bienal | Túlio Tavares, Rodrigo Araújo, Flávio Araújo, Mariana Cavalcante e Bijari, São Paulo, 2002, 9'10"
Titá cum Pintão | Coletivo: "Amigos do Menossão", SP, 1994, 3'06"
CEP 20000 | Daniel Zarvos, Chacal, Guilherme Zarvos, Michel Malamed, RJ, 2005, 52'

PROGRAMA 9 | 110'
Comunidade, Ativismo e a Cena Downtown - um documentário independente sobre a cena experimental de Nova York | Cristiane Bouger, New York / Brasil, 2006, 110'

PROGRAMA 10 | 110'
Desligare, parte 2: Tela / Espelho | Goto e participantes, PR, 2007, 22'32''
Desligare: Tela / Espelho, Simplificado | Goto e participantes, PR, 2007, 1'04'' Desligare: Percurso / Cena, Simplificado | Goto e participantes, PR, 2007, 3'06''
Desligare na Funarte & Arremesso Público da TV | Goto e Luís Andrade, RJ, 2008, 1'19''
Dirigível Olho Grande | Alexandre Vogler e Flávio de Carvalho, RJ, 2003, 4'17''
A Revolução Não Será Televisionada | ARNSTV, SP, 2003, 26'
Liberte-se (Placa, Bala e Faixa) | ARNSTV & Cia Cachorra, São Paulo, 2004, 21'40''
Super Loja Show | Alexandre Vogler, Guga Ferraz, Rio de Janeiro, 2004, 18'55''
Carnaval Cultura Coletiva | GIA, Everton Santos, BA, 2006, 3'41''
Acredite em Suas Ações | GIA, Everton Santos, BA, 2006, 7'48''

ENTRADA FRANCA COM RETIRADA DE INGRESSOS MEIA HORA ANTES DA SESSÃO.

16 SEG
17h Programa 2
19h CINECLUBE CURTA CIRCUITO
21h Programa 1

17 TER
17h Programa 8
19h Programa 3
21h Programa 9

18 QUA
17h Programa 5
19h Programa 10
21h Programa 7

19 QUI
17h Programa 9
19h Programa 6
21h Programa 2

20 SEX
17h Programa 10
19h Programa 5
21h Programa 4

21 SAB
17h Programa 3
19h Programa 1
21h Programa 8

22 DOM
17h Programa 4
19h Programa 7
21h Programa 6

domingo, 26 de outubro de 2008

Ganha Aécio ou Lacerda?

Fim do capitulo Eleições 2008 neste blog: Márcio Lacerda ganha com 59,12% dos votos. Leonardo Quintão ficou com 40,88%.

O dia foi agitado e muito calorento. Minha manhã começou com a cobertura do voto do vice-presidente José Alencar. O que estava programado para ser um evento tranqüilo, com poucos colegas da imprensa na espreita, se transformou no primeiro grande ato político das eleições: apareceram com ele os amiguinhos Hélio Costa [o Ministro das Comunicações que promulgou a TV Digital versão Globo] e o próprio Leonardo Quintão, acompanhado de Jô Moraes. Imaginem o alvoroço! Depois das declarações, a pedido dos cinegrafistas e fotógrafos, a turma posou com o famoso “jóia” do candidato que queria cuidar de gente.

Mais tarde corri para um flagrante de presos por boca de urna na região do Barreiro: oito pessoas com camiseta do PSDB e muitos adesivos de Lacerda. Eles negavam campanha irregular e se diziam voluntários. “Apoiamos nosso governador e nosso prefeito e queremos continuar com o que está de bom”. A frase da militante me fez acordar para o significado político do resultado das eleições: quem será o verdadeiro vitorioso?

Uma estréia pra lá de radical na “zona” eleitoral mineira.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Na sabatina










Sempre tive curiosidade com esta opção da Folha de S. Paulo pelas tais “sabatinas” com políticos e personalidades. Mas nesta terça-feira, finalmente, entendi o quanto este formato é ousado em relação a camisa de força dos debates convencionais. Fiz parte da platéia que se inscreveu para participar do evento promovido pelo jornal em Belo Horizonte com a presença de Márcio Lacerda e Leonardo Quintão no teatro do colégio Dom Silvério. Em miúdos, “sabatina” significou coragem para fazer as perguntas que precisam ser feitas. Sem papas na língua e sem a política da boa vizinhança tão tradicional por parte da imprensa mineira. O bicho pegou.

Não é qualquer dia que se houve um jornalista perguntar, logo de cara, se o próprio Quintão não considera que o vídeo da convenção do PMDB em Ipatinga revele o despreparo do candidato a prefeitura de BH. Houve também um bom questionamento quanto ao emprego dos irmãos de Quintão na Câmara dos Vereadores – seguida de uma resposta desastrada: “Eu não sabia que nepotismo era crime. Quando li nos jornais, demiti os dois, mas eles eram bons de serviço”.

Cinismo, despreparo, desconhecimento de história, picaretagem. Sem a máscara da TV, “Leo” mudou até o sotaque caipira. Alguém na platéia enviou uma pergunta – “Por que você conversa com um sotaque caipira apenas na TV?”. “Porque na TV eu estou mais relaxado, tranqüilo, e aqui é uma pressão grande, vocês não sabem a adrenalina”.

Lacerda não foi poupado. Quando questionado sobre o envolvimento nas operações do Mensalão, ele mostrou desconhecimento da etiqueta política que prega o “desconversar” para dar detalhes de como teve contato com Marcos Valério ao intermediar um acerto de contas entre a campanha de Ciro Gomes e o tesoureiro do PT na época, Delúbio Soares. Numa pergunta embaraçosa sobre o quanto sua candidatura foi imposta à revelia do PT nacional, Márcio se justificou dizendo que a escolha de Aécio não teria sido irresponsável. Em seguida, reconheceu erros graves da campanha no primeiro turno – como o grande espaço dado aos padrinhos em detrimento da apresentação de propostas pelo próprio Lacerda.

Não é fácil ter frieza para pensar a longo prazo ou escolher o “menos pior”. Sai da sabatina arrepiada. A situação está intragável.

[A cobertura pela própria Folha não trouxe a tona os grandes embaraços do evento. Mesmo assim, eis a notícia.]

domingo, 5 de outubro de 2008

Deu zebra!











Zebra paulista e zebra mineira: Kassab tão perto de Marta; Quintão tão perto de Márcio. Segundo turno punk em dose dupla.

Concordo com as análises políticas que atribuem a virada de Leonardo Quintão, do PMDB, à reação popular contrária ao candidato poste. Aécio e Pimentel se julgavam estrelas de primeira ordem na propaganda eleitoral, mas o desconfiado mineiro não engoliu o homem-síntese da dupla. Saiu ganhando o jovem político evangélico de lábia mansa carregada de mineirês do interior, íntimo das câmeras e das promessas milagrosas. Multifacetado – já passou pelo PSB e pelo antigo PFL –, representa uma linhagem de antigos políticos da região do Vale do Aço.

Amostra grátis, por aqui. [Atenção, no final do vídeo da parte 2, ele chama o internauta Leonardo de "Léo", dirigindo-se a ele "De Léo para Léo". Não é fofo?]

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Outras eleições











Há quatro anos assisti ao debate final para prefeito de São Paulo numa casa lotada da rua Rodésia, na Vila Madalena, com uma turma que conheci fazendo campanha pela Internet nos áureos tempos de Orkut. No telão, as falas de dona Marta eram seguidas de aplausos efusivos. Os adversários eram impiedosamente vaiados – um sonoro “uuuu” seguido de “ssshiiuu” para que conseguíssemos ouvir a próxima pergunta. Do debate segui na ronda de bares da região, batendo boca com a turminha engomada dos bares pomada. Uma festa.

Agora o cenário é outro. Mesmo convicta do meu voto em Jô Moraes, tenho apresentado uma resistência braba ao vírus político. A praça Sete, centrão da cidade, é um dos raros espaços de agitação de campanha. Em meia hora, um caminhão estilo trio elétrico de Márcio Lacerda deu cinco voltas na avenida. Os pseudomilitantes pagos balançavam bandeiras alaranjadas em que nada se lia. Reinaldo, o famoso ex-jogador do Atlético, cumprimentava os desempregados que fazem vigília na região pedindo votos para vereador. O aspecto cansado do homem barrigudo contrastava com a foto sorridente da placa hasteada pela correligionária.

O debate de ontem, na Globo, parecia uma brincadeira de criança. Papelzinho pra cá, sorteio pra lá. Ganha quem responde. Não importa muito o quê. De tão estático, o protocolo mais parece uma disputa de repentistas da terceira divisão. 2 minutos. 45 segundos. 30 segundos. A Jô não se saiu tão bem. Estava rouca no inicio e usou um palavreado rebuscado demais. Márcio cumpriu a cartilha do bom marketing eleitoral – pouca exaltação e um tom quase mecânico de voz. Já Sérgio Miranda impressionou com o preparo para criticas à atual gestão municipal e, consequentemente, ao candidato da continuidade. E Leonardo Quintão investiu na retórica sintonizada com um público despolitizado e de pouca escolaridade. Bem ou mal, mostrou a que veio.

Em dois dias, voto pela primeira vez em Belzonte. Mas não faço boca de urna.

domingo, 14 de setembro de 2008

O meu remédio é cantar

Pesquisa do Ibope mais recente - do dia 12 de setembro - aponta Márcio Lacerda (PSB) com 42% das intenções de voto, seguido de Jô Moraes (PC do B), com 12%. Leonardo Quintão (PMDB) aparece em terceiro, com 11%. Gustavo Valadares (DEM) está com 2%. Os outros candidatos têm 1% cada: Sérgio Miranda (PDT), Vanessa Portugal (PSTU), Jorge Periquito (PRTB) e Pepê (PCO). O que ainda chama a atenção é o número de indecisos: 19%. Será que, uma vez esclarecidos, esta parcela de eleitores poderá alavancar um segundo turno? Ojalá!

Sem muitas novidades na campanha, reparei como os jingles revelam sobre o perfil de cada candidato. São divertidos. Aqui, seguem os principais refrões musicais dos protagonistas do horário nobre obrigatório. [Para ouvir a versão completa que não aparece na TV por falta de tempo com exceção de Lacerda, siga o link do site oficial.]

Sérgio Miranda
Ritmo: música de videogame

Tudo certo/ tudo certo/ tudo certo/ tudo Sergio
Meu voto é 12

Jô Moraes
Ritmo: samba

Mulher guerreira
Mulher do povo a gente sabe o que quer
Jô Moraes
A prefeitura nas mãos de quem é capaz

Jô Moraes é competente e preparada
É continuidade Lula, Célio e Patrus
Queremos ver Belo Horizonte mais humana e mais feliz
O povo quer, o povo diz

Jorge Periquito
Ritmo: rock evangélico e forró moderno

Periquito, periquito, periquito
É nesse que eu acredito
28 é Periquito
Para prefeito de BH

Gustavo Valadares
Ritmo: ?

Belo Horizonte na palma da mão
Gustavo no coração

Marcio Lacerda
Ritmo: jingles de Duda Mendonça com forró moderno

A lagoa da Pampulha sorri,
A Liberdade tá florida!
O meu orgulho vem lá da Afonso Pena,
Do Barreiro à Venda Nova,
Vai à Serra do Curral!

(...)

Eu sou mineiro,
Eu sou de BH!
Dessa cidade cada vez mais unida!
Eu tô com Lula, Aécio, Marcio e Pimentel,
A gente junto pode mais,
Vem você também!

É isso que a gente quer,
Marcio Prefeito!

É isso que a gente quer,
Mais e bem feito!

Marcio pra continuar,
Marcio pra melhorar,
A nossa BH!

André
Ritmo: palmas

Sou brasileiro/ sou PT do B
Sou brasileiro/ sou PT do B

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Ocupar com arte













(Um novo Mercado Novo em foto de Desali)


Semana passada fiz o circuito grafiteiro em BH. Comecei pela Bienal na Serraria Souza Pinto e, na sexta-feira, peguei o último dia da mostra Kreu Krio, no até então desconhecido (e decadente) Mercado Novo. O contraste foi instigante.

Nos dois casos, tratava-se de grafite fora do contexto original. Nas paredes do galpão da Serraria, a pretensão de alavancar este tipo de manifestação a um patamar formal causou um estranhamento maior. A poluição visual das grandes gravuras dispostas muito próximas entre si dificultou um olhar mais atento aos trabalhos. Já as megainstalações – como o carro todo pintado e o trabalho com peças usadas de computador que tomou o espaço de um corredor inteiro – são interessantes, mas me parecem idéias pouco inovadoras. No geral, os trabalhos são pouco engajados e sequer agradam do ponto de vista estético.

Audácia e independência ficaram mesmo por conta da mostra Kreu Krio. A começar pela escolha do local – um dos cantos da Belo Horizonte que não aparece em cartões postais ou em programas de campanha política na TV. Nesse espaço mal preservado que se tornou um ponto de vendas de embalagens e isopor, a garagem se mistura com espaços de circulação de clientes. A escada rolante não “rola” há bons anos. E quanto mais alto o andar, maior o abandono.

Mas o banheiro sujo do terceiro andar recebeu as cores vibrantes do grafite em toda a parede. Nos corredores desocupados, cavaletes antigos de propaganda eleitoral receberam stickers irônicos e questionadores. Em meio ao vazio, ficou mais fácil refletir sobre a arte e a realidade daquele estranho espaço. A visita me fez lembrar os já históricos dias de ocupação de artistas de SP na ocupação dos movimentos de moradia no edifício Prestes Maia em 2004. [Para saber mais, é só clicar no site do Túlio Tavares!]

Quem também gostou da movimentação atípica no Mercado Novo foi um dos donos da Serralheria Mangaba. Sujo de graxa no macacão azul, Lúcio Camilo de Menezes também ficou encantado com a grafite do banheiro. São 45 anos trabalhando por ali – ainda menino, vendeu laranja nas redondezas e depois trabalhou na reforma do prédio, antes usado como oficina de bonde da cidade. “Se eles cuidassem de isso aqui, seria uma coisa linda”.

Que venham mais grafiteiros e outras [a]mostras de inteligência como essa!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Política Leite com Leite

Num ato heróico de civismo, consegui transferir meu titulo de eleitor para BH no último dia. Por esta ação, alias, já fui taxada de patologicamente politizada. Agora, o jeito é me situar no meio de tantos rostos inéditos no horário eleitoral que acaba de começar. Uma atração e tanto para esta paulistana que, pela primeira vez, não precisa encarar o rosto do Maluf numa campanha para prefeito.

É claro que ando me divertindo. A avalanche de vereadores na TV raramente diz alguma coisa séria. E cada candidato tem seu método de guerrilha para mandar algum recado. Alguns se definem logo no nome: Hamilton Cabeleireiro, Cabo Adriana, Renato da locadora, Pelé do Vôlei, Eduardo da Ambulância, Ângela do Girassol, Paulão Butum da Creche.

“Eu tenho um projeto para você. Ligue 9123-4567 e saiba o que não pude falar agora”, afirma um deles, do PMDB. Já o candidato Amigão, do PSB, arrumou um bordão estilo mala sem alça: “Confie no amigão, sou amigo de todos”. Outros partidos preferem fixar uma única mensagem ao longo dos escassos segundos aos quais têm direito. São mantras como “O PSC acredita em Deus e coloca o ser humano em primeiro lugar”, repetido por 10 pessoas diferentes; e “Se você quer vereadores e vereadoras comprometidos com o nosso país, vote 50”, narrado cinco vezes na voz de Heloisa Helena, do PSOL.

No programa dos candidatos a prefeito, é curioso ver como quase ninguém se arrisca a criticar uma das gestões municipais mais bem avaliadas no país. Mas a surpresa foi ver como a aliança entre PT e PSDB está escancarada em torno de Marcio Lacerda (PSB). Fernando Pimentel e Aécio Neves são só elogios para o empresário que entrou na vida política como ministro do governo Lula e hoje atua como secretário de governo de Aécio. Jô Moraes, do PCdoB, que aparece como líder nas pesquisas de intenção de voto, fica no meio termo entre criticar a atual prefeitura e propor mudanças.

Tenho milhões de outras observações a fazer, mas guardo o fôlego para a longa jornada que teremos pela frente até o 1. turno...

sábado, 19 de julho de 2008

Valadares News

Tive três dias e duas noites de verão na cidade que ganhou fama por seu principal produto de exportação: os próprios moradores. Ainda lembro de algum “Globo Repórter” sobre o espírito aventureiro dos mineiros de Governador Valadares, que migravam em massa para os EUA.

Aqui, cabe uma explicação. O que na verdade me levou a Valadares foi uma pomada cicatrizante a base de repolho. Mas no intervalo entre a plantação da hortaliça e a farmácia de manipulação, cacei pistas um pouco mais culturais sobre a cidade. Concretamente, só encontrei um outdoor da escola de inglês CCAA reproduzindo uma nota de 100 dólares, com letras garrafais dizendo “Aqui suas chances ficam ENORMES”.

Horas depois, uma conversa com o farmacêutico indicou que a CCAA pode estar desperdiçando com a propaganda. Segundo ele, os sonhos de grana agora se realizam na Europa – mais especificamente na Espanha e na Irlanda. Dublin anda falando mineirês by Governador Valares.

Engraçado, porque a cidade não parece ser tão pobre. O Centro, agitado e muito organizado em quadras padronizadas, tem lojas para todos os bolsos. A vista do pico do Ibituruna, que permite ver em detalhes todo o vale do Rio Doce, é exuberante. E as promessas de melhora na economia local também são altas.

Quando a única fonte de notícias é o Diário do Rio Doce, o otimismo é ainda maior. Audacioso, o jornal não dá a mínima para imparcialidade. Manchete: “Um fato histórico – ARACRUZ É DE VALADARES.” As páginas sobre a assinatura para a construção da fábrica de celulose na cidade não incluem nenhuma linha sobre os possíveis impactos ambientais que o empreendimento pode trazer. Um panfleto e tanto, com diversos anúncios pagos comemorativos por parte dos candidatos a prefeito. “A Aracruz é nossa! Mourão também!”/ “Aracruz em GV, Agora é pra valer – Compromisso Jayro Lessa”/ etc.

Uma última observação: em cidade pequena, eleições municipais devem ter mais impacto que as estaduais. É grana correndo solta. E promessa de remuneração para muitos futuros funcionários de confiança - exatamente aqueles que não precisam do emprego na Aracruz Celulose.

Aos ávidos por imagens, algumas fotos representativas no site ValadaresMG.

sábado, 8 de março de 2008

Marcha Mundial das Mulheres – Uma versão lilás*









*Texto da gaveta, sobre o 8 de março de 2006. Foto do site da SOF.

João, João, faça o seu feijão!
José, José, cozinhe se quiser!

Por Júlia Tavares, no calor do momento

Não basta cantar. Tem que apontar o dedo para os Joãos e Josés abobalhados da avenida Paulista e, claro, dar muita risada. Além desta, outras palavras de ordem entre os hits da edição paulistana da Marcha Mundial das Mulheres neste último 8 de março já caminhavam para o lado mais politizado do ato com “A nossa luta/ é todo dia/ somos mulheres e não mercadoria”, também na versão “A nossa luta é por respeito/ mulher não é só bunda e peito”. Haja coragem para sair nas ruas em plena quarta-feira gorda ou escapar mais cedo do trabalho e se juntar à formosa massa lilás.

Dona Zica, coitada, tomou chuva e entrou na dança meio assim, sem querer. Foi ao Banco Real porque eles dão, todo ano, uma rosa para as mulheres. “Quando vi o pessoal no MASP acabei ficando. Isso aqui tá lindo!”, dizia ela, já de rosa na mão e vários broches, adesivos e até um lencinho roxo alfinetado na blusa. A senhora, negra e gorda, já estava cansada da Marcha e queria chegar logo ao Sesc Consolação “pra fazer a minha natação”, mas teve que esperar na porta da Onofre Megastore. Ganhamos, as duas, um cartãozinho de flores borrifado com perfume especial da drogaria fashion. Ela tinha acabado de descobrir que o movimento feminista teria origem na resistência das mulheres tecelãs que foram mortas com o incêndio numa fábrica. [Uma das origens da data é atribuída às 129 operárias têxteis mortas queimadas em greve pela redução da jornada de trabalho, em Nova York.] “Eu fui tecelã”, orgulhou-se, minutos antes de avaliar que a chuva estava fina e partir para o Sesc.

Alguns casais não tiveram vergonha de manifestar beijos e mãos dadas: para lutar por direitos, davam elas mesmas o exemplo. Outras abusaram da criatividade, como uma mulher alta e bonita, de salto, lenço no cabelo e rolo de macarrão na mão. Posando para fotos, dava para ler a frase escrita no avental: “Sou lésbica, e daí? Sou tão mulher como a sua mãe”.

3 mil ou 12 mil?!

Segundo a organização da Marcha, 12 mil marcharam do MASP até a praça Ramos, mas a Folha de S.Paulo trouxe apenas a versão da Polícia Militar: 3 mil. A matéria de Afra Balazina também destacou apenas dois pontos de reivindicações da marcha - legalização do aborto e contra a violência doméstica, esquecendo os clamores contra o racismo, o preconceito, a guerra, o imperialismo norte-americano e os transgênicos. A questão trabalhista também foi contemplada, com cartazes exigindo um salário mínimo digno e igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

Marta Suplicy foi citada como “a grande celebridade” pelo jornal. De fato, causou agitação das bandeiras de mulheres do PT e muitos aplausos de quem reconhece a trajetória de militância feminista da ex-prefeita, mas mitificar uma ou outra mulher não foi, de forma alguma, a intenção da marcha. Muitas donas Zicas, Renatas e Alessandras estiveram por lá e brilharam na festa do feminismo versão 2006. Segurando suas bandeirolas, enfeitadas com fitas de chita e brincos, pulseiras e muitos colares cor-de-rosa, conseguiram, definitivamente, chamar a atenção para suas reivindicações históricas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estranhas alianças...













(Charge de Duke para O Tempo desta segunda-feira, dia 11/02, sobre a proposta do prefeito de BH, Fernando Pimentel, de lançar uma canditadura única com chapa PT e PSDB à prefeitura da cidade... )