quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ensaio sobre o medo

Quase nove meses de BH e algumas coisas custam a passar despercebidas. Entre meus estranhamentos mais constantes, estão as cercas elétricas, os alarmes ativados com códigos e as placas com caveira que dizem bom dia para a visita que chega à porta. Todos os dias, o alarme me dá a tolerância de três minutos do portão da rua até o portão interno do prédio. É pior que gincana de TV. Demorou, dançou.

Não é preciso morar em bairro de classe alta para constatar a paranóia que toma conta da cidade e faz a festa das empresas de segurança. As fotos - todas do meu bairro - podem provar a loucura das prisões voluntárias que marcam nossos anos 2000.











































17 comentários:

saintcahier disse...

C'est la vie... é isso ou bromazepam (há quem use ambos).

Luiz Navarro disse...

julia, concordo com voce: isso e uma paranoia coletiva. as pessoas constroem gaiolas para morar, nao sabem mais o que e andar e viver a rua, criam estereotipos e preconceitos. o risco existe, claro. mas as pessoas elevam o medo a um delirio. talvez pela sua incompreensao da sociedade em que vivem.

Anderson Ribeiro disse...

Saudades em que o guarda apitava na esquina e isso se chamava segurança.

.ludmila ribeiro. disse...

ui jujulita, isso toca desagradavelmente fundo!
agora fica um tanto de apito aleatório, disparado estimulando o delírio coletivo do medo.. sinfonia do desajuste.
"chame o ladrão"!

makely disse...

Não contem pra ninguém, mas sempre que posso eu passo e desligo o alarme do meu prédio!

SaintCahier disse...

Pode ser, mas uma coisa eu lhes digo: a primeira "rapa" (quando os bandidos entram na sua casa / escritório e levam tudo) a gente nunca esquece...

Anderson Ribeiro disse...

Sei como é isso Saintcahier. Levaram meu carro e 'ninguém' viu. Filhos da Puta!!!!!!!!!!!!!

makely disse...

Saintcahier, garanto que com ou sem alarme eles levariam do mesmo jeito. Depois, quem é bandido e quem é mocinho? Eu sempre quis ser assaltante de banco!

Júlia Tavares disse...

Pois, é, Eduardo Saintcahier, ninguém ainda entrou em casa para roubar nada... Mas quando esse dia chegar, espero manter a posição: os alarmes e arames farpados de trincheira são um exagero!! Quando o alamarme do meu prédio dispara, algum morador trata logo de desativar. Eles sabem que se trata de um vizinho atrapalhado com o timing...
Gostei da definição da Lud. É a autêntica sinfonia do desajuste. Boa também a sua provocação, Makely....
Beijos!

Elisandra Amâncio disse...

É Julita, estranho como somos obrigados a participar desses hábitos de segurança. Como o colega postou... saudades do guardinha da esquina.

To atualizando meu blog, dois textos já estão ok! beijão!

SaintCahier disse...

"Depois, quem é bandido e quem é mocinho? Eu sempre quis ser assaltante de banco!"

Bem... todos nós temos o nossos devaneios anti-sociais (o meu é de ser déspota-esclarecido de algum Estado bacana, tipo a França --- sempre quis dizer "o Estado sou eu!").

Mas dura lex sed lex...

SaintCahier disse...

Na verdade a eficácia do alarme só existe quando parte das pessoas o tem ("bandido, eu tenho alarme, assalte meu vizinho") quando *todo mundo* o tem, a coisa fica bem menos eficaz...

...eu sou contra a alarmização e arame-farpização dos espaços, mas conforto psicológico também conta! Sem uma boa dose de ilusão, como viveríamos nesse paraisinho tropical nosso?

Só que eu acho que a coisa deveria ser séria (ahahahah! seriedade... que idéia!) e alarme deveria ser obrigatoriamente ligado à polícia, alarme disparado deveria significar polícia na sua casa em 5 minutos, e alarme falso era multa de 500 reais na sua moleira.

Luiz Navarro disse...

caro saintcahier, não acredito que sonhar em ser assaltante de banco seja necessariamente um "devaneio anti-social". afinal, o que é assaltar um banco comparado a fundar um?

SaintCahier disse...

Bem, sonhar em ser assaltante de banco não tem nada de anti-social... a passagem ao ato é que ferra tudo.

Eu não vejo nada anti-social / errado / pecaminoso em fundar um banco. Agradeço ao monstro-do-macarrão todo o dia pela a existência do Credit Lyonnais e do AMRO (meus bancos) em poder fazer guardar meu dinheirinho, e comprar na Amazon.com. Já pensou guardar grana embaixo do colchão?

Que há abusos clamorosos (especialmente nesse nosso Brasil Brasileiro) isso são outros 500 R$, e eu não vejo relação causal em assaltar os bancos e corrigir os ditos abusos... melhor era ter uma legislação / fiscalização anti-truste que prestasse, não?

makely disse...

Saintcahier, quem tem dinheiro para guardar no Credit Lyonnais e, principalmente no AMRO, deve realmente se cercar de um sistema de segurança especial. É uma das empresas que tiveram mais lucro no país sem produzir um alfinete sequer. Alguém já ouviu falar em cooperativas de crédito? E devaneio social é querer a polícia na sua casa em cinco minutos para defender seu patrimônio ao primeiro toque da campanhia. Acho que você precisa tirar seu dinheirinho do fundo de investimentos e contratar uma milícia, quero dizer, uma empresa de segurança particular.

SaintCahier disse...

Não, não... o CL e Real tem contas universitárias que dá para a gente abrir sem ser milionário. (Mas, só para constar, o dia que eu for milionário, não peço desculpas para ninguém.)

Porque seria anti-social a polícia vir me defender (e de passagem, defender *a lei*)? Para que ela serviria, otherwise?

Se ela cumprisse seu papel, eu não precisaria considerar seriamente a hipótese de contratar uma milícia, digo, uma empresa de segurança particular (que são de uma qualidade épouvantable, diga-se de passagem).

Daniel disse...

"Prisões voluntárias" é um termo que resume bem a situação...