terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Delicadezas...

Poeta favorito, Bandeira alimenta a alma com os encantamentos captados na observação da vida simples e cotidiana das cidades. Diretamente do Recife, é ele quem agora evoco como pano de fundo deste passeio de domingo ensolarado na agitada feira da Afonso Pena. [Que de “hippie” não tem quase nada – talvez “chinesa” seja o melhor adjetivo...]














Vestígio artesanal arqueológico















Chaves, o mexicano onipresente
















Para bebês uniformizados




















Quinquilharias na bacia

Camelôs - Manuel Bandeira

Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
o que vende balõezinhos de cor
o macaquinho que trepa no coqueiro
o cachorrinho que bate com o rabo
os homenzinhos que jogam boxe
a perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado
e as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma.
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
— "O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai buscar um pedaço de banana para eu acender o charuto. Naturalmente o menino pensará papai está malu...."
Outros, coitados, têm a língua atada.
Todos porém sabem mexer nos cordéis com o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heróicos da meninice...
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes uma lição de infância.

Um comentário:

Eduardo disse...

Feira da Afonso Pena => Acarajé