quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Saudades de Verão














Foto por Eduardo Borges, roubada sem o devido pagamento

O verão propriamente dito não acabou, mas o fim do horário artificial coincidiu com o término do 3º. Verão Arte Contemporânea. Com uma vasta programação na área de artes cênicas, artes plásticas, vídeo e música, o evento de um mês confirma a vocação vanguardista da turma da Officina Multimédia, o mesmo coletivo responsável pela divertida Bienal dos Piores Poemas.

Por conta de viagens intermináveis e pé na lama em capões de mata atlântica e campos rupestres da Serra do Espinhaço [confiram o resultado no próximo Planeta Minas, na Rede Minas, dia 24 de fevereiro, às 21h40 – reprise dia 27, às 13h30, e 28, às 18h30], não aproveitei muita coisa da programação do VAC. Mas ao menos peguei dois eventos bastante significativos do que, intuitivamente, parece ser a proposta dos organizadores: dar espaço para a experimentação e, por que não, para o risco. Foi assim com Cortiços, da Cia Luna Lunera, em que os atores tiveram a coragem de expor ao público um trabalho em processo de construção, recolhendo comentários por escrito do platéia no final da apresentação. [Belíssima a cenografia com garrafas pet cheias de água para a ambientação naturalista de Aluísio Azevedo!]

Domingão foi a vez do já consagrado violonista, compositor e cantor mineiro Kristoff Silva se lançar ao desafio de montar um show inédito. Segundo o release, a proposta era “voz e violão”. Mas o baixo e o piano de cauda no palco da Fundação de Educação Artística diziam o contrário... Por fim, ganhamos com o contraponto dos dois extremos – os músicos convidados entraram e saíram de cena colaborando com a proposta do Kris de dar destaque ao papel da oralidade na canção. [Discípulo mais que aplicado de Luiz Tatit, com show marcado no mega evento South by Southwest 2009, em Austin, Texas! Não deixe de conhecer/ver/ouvir, aqui no myspace.]

No suspiro do restinho do dia de folga, quem se sentiu homenageada fui eu. Já no BIS do show, ganhei esta canção deliciosa – do próprio Kristoff – para matar saudades da terrinha. Um banho de finas referências espaciais e musicais de São Paulo.

SÃO
(poema de Makely Ka , musicado por Kristoff Silva)

De Tatit a Itamar, do Tietê ao Butantã
Já cantaram tuas ruas, praças e avenidas
De Arrigo a Ribamar, do Masp ao Trianon
Teus viadutos, vales, becos sem saída
De Wandy a Gudin, do Bexiga ao Itaim
Gente de todo lugar, tipos de toda espécie
De Pereira a Adoniran, da Liberdade ao Carandiru
Cantaram por toda cidade, fizeram a sua prece

Tom Zé veio de Irará
Rita de Americana
Belchior do Ceará
Chico é paraibano
Careca é do Paraná
Arnaldo é paulistano

No Sumaré eu vi Ceumar
Salmaso em Vila Mariana
Virgínia no Viaduto do Chá
Suzana no Salesiano

Geraldo Filme foi filmar um clipe com o Fellini
E o Ira! vai tocar Ronda do Vanzolini

Fui ver a Ná cantar no Ibirapuera
Tetê também estava lá imitando Uirapuru
Quem foi trocando idéia da Sé até Jabaquara
Foi Zé Miguel com Mano Brown que pegaram a linha azul

Essa parceria aproximou o centro da periferia
O erudito e o popular, a rua da academia.

[Para mais notícias sobre alguns pontos algos do VAC, visite o Pixelando!]

2 comentários:

Cristiana Brandão disse...

oh, música bonita!

Anderson Ribeiro disse...

Que maravilha! juro que eu desbava se fosse pra mim. hehehehe. Beijos, Julita!