terça-feira, 3 de março de 2009

A rua é do Flanela








Guardador de carro, vendedor de zona azul (que em Minas é “faixa azul” – “zona é outra coisa”, já tive que ouvir essa...), limpador de pára-brisa. Não engulo nenhum desses substantivos como cargo funcional: os caras são pilantras, e pronto. Uma das principais comparações positivas para BH em relação a São Paulo já foi o fato de que, na capital de Minas, estacionar na rua não era um dos doze trabalhos de Hércules. Mesmo como motorista bastante eventual, posso dizer que não é bem por aí.

Descendo a pé minha própria rua, já fui abordada por um garoto que “olha” carros dos fiéis que freqüentam a Nossa Senhora Mãe da Igreja, logo em frente. E não é que o moço ficou bravo quando me recusei em dar algum trocado? "Eu moro aqui" deve ter sido interpretada como uma das desculpas mais esfarrapadas para negar o dinheirinho.

Também é raro sair para qualquer canto à noite sem cruzar com um desses pseudo-profissionais. Mas esta recente passagem por São Paulo rendeu exemplos de que a coisa pode piorar.

CENA 1: Ibirapuera, domingo, 16h45: Eis que surge uma vaga milagrosa do lado de fora do parque. Eis que, simultaneamente, um homem aparece oferecendo inúteis indicações de como fazer a baliza.

- Vai um zona azul, aí? [A folha mais superfaturada da cidade, aposto...]
- Obrigada, a gente já tem.
- Pô, então deixa um adiantado aí pelo nosso trabalho, chefia.
- A gente paga na volta, então.
- Pô, mas aí não dá, é muito carro, muita correria, tem que pagar antes.

Enfim, alguém que estava comigo deu umas moedas e recebeu, em troco, um olhar de reprovação. Voltamos uma hora e meia depois. Nem sinal do cara.

CENA 2: Rua Bartira, Perdizes, 19h20. Tentativa de assistir a uma peça no Tuca que dependia de duas informações básicas: existência de ingressos e duração do espetáculo. Uma vaga um pouco ilegal (tomando um pedacinho da garagem de uma escola) nos foi indicada pelo novo colega da flanela. O problema é que ele não podia dar minutos grátis pelo espaço na via pública enquanto iríamos atrás de esclarecimentos – cheio de marra, quis dez reais para “garantir” a vaga. Resultado: um foi na bilheteria, outro ficou no carro. As duas horas e meia da peça seriam inviáveis. Fomos embora.

Gente, será que este estado de sítio nas ruas é mesmo oficial em todo o país?

4 comentários:

Clara disse...

ju!
é exatamente o que eu acho!
acho um absurdo essa dominação da rua, esse ter-que-pagar-senao-vou-arranhar-seu-carro.

sempre que posso não pago, mas na maioria das vezes, confesso, pago pra evitar problemas!

beijos e saudade de vc!
(vamos depender do renato pra encontrar agora? heheh)

saintcahier disse...

Felizmente, eu (ainda) não conlui meu curso de medusa, e não consigo matar ninguém só com o olhar gelado...

Eduardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
saintcahier disse...

Por outro lado, este é mais um sintoma de que carro, nos grandes centros, já deu o que tinha que dar, né?