domingo, 17 de maio de 2009

Atum e futebol

Um corrimão de ferro separa clientes de salmão cru do mundo real: da calçada, crianças descabeladas vão e voltam oferecendo balas e outros trens esquisitos. Um moço silencioso aparece com uma enorme casinha de bonecas de madeira. Abre as portinhas da sala e do quarto, exibe a obra em 360 graus. O olhar tímido busca, em vão, por possíveis compradores.

Enfim, aparece o vendedor de pôsteres de times clássicos mineiros, modestamente enquadrados. Logo uma senhora plastificada interrompe a mordida no tempura e rompe a tênue linha imaginária entre a rua e o restaurante.

- Tem foto do Tostão?
- Claro, tá aqui, time de 66.
- Ai, olha ele ali!


Logo entendo a cena: uma mesa a frente, almoçava o senhor de cabelos brancos e cara redonda. Não vejo a mínima semelhança com o jovem comprido de shorts-cueca da foto. Mas sim, é ele mesmo.

Comprimentam-se de longe. Tostão abre um sorriso amarelo. O vendedor trava um diálogo saudosista com a senhora: “Foi nessa época que começaram as torcidas em Belo Horizonte.....”. Cinco frases depois, um estranhamento. A mulher pode até gostar de futebol, mas quer voltar ao hashi. Não leva o quadrinho. Quem se despede do figura sou eu mesma.

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