sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Na sabatina










Sempre tive curiosidade com esta opção da Folha de S. Paulo pelas tais “sabatinas” com políticos e personalidades. Mas nesta terça-feira, finalmente, entendi o quanto este formato é ousado em relação a camisa de força dos debates convencionais. Fiz parte da platéia que se inscreveu para participar do evento promovido pelo jornal em Belo Horizonte com a presença de Márcio Lacerda e Leonardo Quintão no teatro do colégio Dom Silvério. Em miúdos, “sabatina” significou coragem para fazer as perguntas que precisam ser feitas. Sem papas na língua e sem a política da boa vizinhança tão tradicional por parte da imprensa mineira. O bicho pegou.

Não é qualquer dia que se houve um jornalista perguntar, logo de cara, se o próprio Quintão não considera que o vídeo da convenção do PMDB em Ipatinga revele o despreparo do candidato a prefeitura de BH. Houve também um bom questionamento quanto ao emprego dos irmãos de Quintão na Câmara dos Vereadores – seguida de uma resposta desastrada: “Eu não sabia que nepotismo era crime. Quando li nos jornais, demiti os dois, mas eles eram bons de serviço”.

Cinismo, despreparo, desconhecimento de história, picaretagem. Sem a máscara da TV, “Leo” mudou até o sotaque caipira. Alguém na platéia enviou uma pergunta – “Por que você conversa com um sotaque caipira apenas na TV?”. “Porque na TV eu estou mais relaxado, tranqüilo, e aqui é uma pressão grande, vocês não sabem a adrenalina”.

Lacerda não foi poupado. Quando questionado sobre o envolvimento nas operações do Mensalão, ele mostrou desconhecimento da etiqueta política que prega o “desconversar” para dar detalhes de como teve contato com Marcos Valério ao intermediar um acerto de contas entre a campanha de Ciro Gomes e o tesoureiro do PT na época, Delúbio Soares. Numa pergunta embaraçosa sobre o quanto sua candidatura foi imposta à revelia do PT nacional, Márcio se justificou dizendo que a escolha de Aécio não teria sido irresponsável. Em seguida, reconheceu erros graves da campanha no primeiro turno – como o grande espaço dado aos padrinhos em detrimento da apresentação de propostas pelo próprio Lacerda.

Não é fácil ter frieza para pensar a longo prazo ou escolher o “menos pior”. Sai da sabatina arrepiada. A situação está intragável.

[A cobertura pela própria Folha não trouxe a tona os grandes embaraços do evento. Mesmo assim, eis a notícia.]

6 comentários:

makely disse...

Ótima cobertura Júlia! Me instigou a escrever alguma coisa sobre a situação. Confesso que estava com preguiça, mas fiquei com vergonha de ver uma paulista mais preocupada com o destino da cidade que a maioria de meus amigos blogueiros. Beijos

Luiz Navarro disse...

deve ter sido uma sabatina imperdível mesmo, júlia. putz, queria ver a cara dos dois numa das poucas situações em que estão realmente expostos.

SaintCahier disse...

Eu acho que a situação está longe de ser ideal, mas não tenho dúvidas da escolha que eu faria se não estivesse a 12 000 km da "terra madre".

patrícia disse...

Juju mega politizada, agora em mineirês..ehehhe. saudade de vc, minha linda.

Nonada disse...

Oi Júlia, tá mesmo difícil engolir os candidatos aqui em BH. Então resolvi seguir o célebre conselho da sexóloga que abrilhanta a disputa em SP. Dá uma olhada nesse vídeo!

http://br.youtube.com/watch?v=UdrcDp5TEK4

Um abraço,
Marcus.

Júlia Tavares disse...

Marcus, obrigada pelo link - fiquei sabendo do vídeo mas ainda não tinha visto!!! Mas cá entre nós: acredita mesmo que o Tom foi dar este "depoimento" sem nada em troca?

Beijos e obrigada pela sua visitinha!
Júlia.