quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A ressurreição de Stuart






















No último sábado consegui testemunhar uma das grandes audácias do teatro brasileiro contemporâneo: uma fiel montagem da peça Maria Stuart, de Schiller, em pleno solo mineiro. Parece exagero, mas não é. Pense na loucura para deslocar de São Paulo um elenco de 13 atores e equipe técnica, cenário e figurino necessários a esta montagem com três horas e meia de duração. Pense no esforço prévio da produção para angariar apoio financeiro. E, por fim, pense no atual cenário desolador do mercado de teatro no país. Loucura, não é?

Mas o esforço “herculano" valeu apena: o espetáculo estrelado por Ligia Cortez e Julia Lemmertz teve enfim um público considerável no Palácio das Artes durante o fim de semana. [A divulgação prévia incluiu até uma participação divertida das duas no popular programa de entrevistas Brasil das Gerais!]

Admito que, ironicamente, o “grande teatro” não é o local mais indicado para espetáculos de teatro deste porte: a acústica atrapalhou bastante a compreensão das falas em alguns momentos. A peça também exigiu do público bastante fôlego para o mergulho a um texto clássico e denso sobre a verdadeira história de poder e ódio protagonizada no fim do século 16 por duas rainhas - Elizabeth, da Inglaterra, e Stuart, da Escócia.

Talvez a dose de teatro tenha sido cavalar demais para algumas pessoas que abandonaram o território no intervalo para o 2. ato. Mas claro que, para mim, valeu a pena. Sem falar na atuação impecável dos atores, eu soube que esta é apenas a segunda vez que o texto ganha uma montagem profissional no país. A primeira aconteceu no longínquo ano de 1955, quando Manuel Bandeira fez a tradução do texto original em alemão escrito no ano de 1800 para montagem do histórico Teatro Brasileiro de Comédia – TBC. Á época, com atores brilhantes como Cacilda Becker (Maria Stuart) e Cleyde Yáconis (Elizabeth).

UFA! Para encerrar meu momento pseudocritica de teatro, é impossível não comparar os figurinos utilizados nas duas versões da peça. Se a primeira foi fiel ao requintado estilo de época, esta optou por roupas básicas e atuais. Quem sabe uma forma sutil de nos lembrar da atemporalidade da arte e dos grandes dilemas humanos.

E chega de Camas Quadradas e Casais Redondos!

3 comentários:

homerman disse...

Então poucos "fãs da zula" aparecem por aqui?

Queria morar em MG pra ver se você tá mandando bem na Rede Minas. ^^

Falando em peças, é um alívio saber que você voltou a fazer teatro. Por favor, me avise quando você estiver em cartaz com alguma peça. *-*

Abraço!

saintcahier disse...

Ou quem sabe não tenha sobrado grana para o figurino ? :-P

Pedro Leão disse...

Julinha, lembra do Pedro, da Lee?
Pois é, sou eu. Estava procurando na net fotos da Mary Stuart encenada na década de 50 pela Cacilda Becker e a Cleide Yáconis e acabei chegando no seu blog. Estou montando uma série de pinturas do TBC daquela época, onde minha avó e meu avô atuaram. Só tenho uma já colocada na net (http://stone-lion.blogspot.com/2009/11/rale-maria-della-costa.html) mas outras não tardam em aparecer. Pretendo fazer a Mary Stuart em Fevereiro. Ler o que você escreveu sobre a peça nova me deu umas idéias. Valeu!