quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Diamantina











































Diamantina é minha cidade histórica favorita em Minas Gerais. Diferente do circuito de Ouro Preto, é aberta, clara, alegre. Tem vida própria.

Subindo os morros de chão de pedra, os nativos (já meio mineiros, meio baianos) olham desconfiados para os turistas e seguem caminho mais adiante. Só mesmo o turista deslumbrado respira fundo o ar das montanhas da Serra do Espinhaço e acha novidade poder desfrutar da mesma vista que um dia a ex-escrava Chica da Silva escolheu para fincar sua casa. Forasteiro, quer entrar na máquina do tempo e vivenciar o cenário da rica e próspera cidade do circuito do diamante e da rota certa dos escravos que trabalhavam na mineração.

Outro símbolo turístico da cidade, a Casa da Glória, de 1750, já foi moradia do primeiro bispo de Diamantina e abrigou o colégio das irmãs Vicentinas: para que as internas não tivessem contato com os reles mortais da rua, foi construído um passadiço fechado entre os dois prédios. Gostei de lembrar que por ali estudou a Luisinha, irmã de Helena Morley, em 1895... Helena foi neta de ingleses que viveram em Diamantina. O diário da menina virou o livro e o filme “Minha vida de menina”.

Entre as atrações mais “recentes”, está a casa onde nasceu Juscelino Kubitschek – suas camas, mesas e cadeiras, todas simples, lembram miniaturas dignas dos sete anões. Desta segunda vez que estive por lá também consegui ver uma vesperata – ou o inverso de serenata. Quem fica na janela são os músicos. Os maestros se revezam num palco no meio das mesas de bar e da multidão para reger a banda empoleirada nas sacadas dos casarões da vila. O repertorio é bastante variado e, cá entre nós, nem sempre prima pelo bom gosto. [Não acho "Besame mucho" uma escolha acertada...] Mas não deixa de ser um espetáculo imperdível...

Minhas fotinhos, de cima para baixo: Casa do Glória, Igreja de São Francisco de Assis e algumas sacadas para músicos da vesperata.

Um comentário:

zecarlos001 disse...

Julim, querida, também gostei de Diamantina e desejo voltar. Se fosse discordar de ti (coisa de que de não me atrevo), eu diria que Tiradentes, Sabará, Mariana e até mesmo Ouro Preto são cidades que me seduziram por serem a tal “máquina do tempo” de que você falou, e por possuírem um tiquinho de “claridade e alegria”, também.

Diamantina tem mesmo “vida própria” e durante o festival de inverno a cidade ganha outros ares. No entanto, o que me aborreceu no “Arraial do Tijuco Preto”, antigo nome de Diamantina, foi a hipervalorização de Juscelino ‘Kudejegue’ como o maioral da cidade. Seu nome virou logradouro em todo o país e já faz parte de todos os livros didáticos de história da segunda metade do século XX para cá - Chica da Silva só teve registro significativo no cinema.
Ainda bem que “agora” a cidade resgata Helena Morley (Julim, você viu que em seu diário, a Helena faz referência o tempo todo ao armazém do seo Mota, do “Beco do Mota”, que ainda existe e que virou música de Milton Nascimento?!).

O meu personagem dileto em Diamantina (e dentre os inconfidentes também) é José da Silva de Oliveira Rolim, o Padre Rolim. Este você tem que conhecer Julim; a história desse cara é muito louca. No século XVIII, ele era filho do Contratador de diamantes mais rico do Arraial do Tijuco. Mesmo depois de ordenado padre teve filho (reconhecido em cartório) com a filha de Chica da Silva. Seu papel na conjuração mineira foi de organizador de armamento e de defesa. Em sua ficha corrida constam alguns assassinatos. Foi dos inconfidentes o último a ser preso, torturado e condenado (isso porque ele corrompeu toda a chefia de policia de Diamantina). Foi expulso das capitanias de Minas Gerais e de São Paulo (sim, ele morou em Sampa quando estudava para as ordens menores de sua irmandade). E, por último, ele foi um dos únicos inconfidentes a ver a independência do país em 1822 – também conseguiu reaver toda fortuna seqüestrada pela coroa portuguesa.
Enfim, ele é o meu personagem pra um bom roteiro de filme de época.