quarta-feira, 30 de abril de 2008

Galos & Raposas

Não tenho a intenção de comentar meu dia a dia de trabalho neste blog, mas a estréia na cobertura de futebol foi tão marcante que não poderia passar batida. De última hora, soube que eu seria mandada para acompanhar um protesto de atleticanos na sede do clube, revoltados com o cinco a zero para o Cruzeiro na primeira partida da final. Mas essas eram as únicas informações do meu repertório futebolístico.

E lá vou eu para a sede do clube, levando um jornal do dia para saber detalhes como o nome do técnico e do presidente do Atlético. Achei divertido descobrir que o Cruzeiro – o time azul – também tem uma variante no reino animal. São as raposas.

Já compreender o grau de ódio dos torcedores do galo em frente à sede foi um exercício mais complicado. “A minha mulher tá sofrendo muito, ela não saiu na rua com vergonha do time”, me contou um deles. O clima estava bem pesado. Os olhos, raivosos. Por pouco não tive um ataque Amélie Poulain pregando a paz entre os povos. Ou melhor, entre os times.

Uma hora depois, já sabia das falhas da escalação do Geninho e das falsas promessas de Ziza para a contratação de um time centenário. Foi uma pena ter saído de lá antes do tiro de borracha da polícia para conter o tumulto que se armou na saída do Ziza. Perdi a noticia.

No dia seguinte, a cidade amanheceu nitidamente dividida entre raposas sorridentes e galos escaldados. Pela primeira vez, a seção de Esportes do jornal não foi ignorada. E minhas duas grandes amigas Lica e Mari – jornalistas esportivas desde sempre - ganharam ainda mais pontos na escala da minha admiração.

5 comentários:

Luiz Navarro disse...

jornalistas são assim, né? lamentam perder uma notícia mas não suspiram aliviados por perder a chance de levar uma bala de borracha no couro!

Clara disse...

aaah, adoro seus casos, ju!!!
quero atualizações diárias, já que tá tão difícil de encontrar.

nossa, morri de rir com o post do mineirês tbm!! :)

beeeeijos,
clara

Patrícia disse...

Juuuuuuu...esse blog é bão demais. O mais engraçado é que me vejo nessas situações...ahaha. beijo, querida.

Anderson Ribeiro disse...

Devo concordar com seu lamento de ter perdido o tiroteio e ao mesmo tempo lhe dizer o quanto é perigoso ficar. Quando fui repórter esportivo, fui cobrir um jogo no interior de Sergipe(Itabaiana X Pirambu) e o time da casa (Ita) acabou perdendo e no estádio mesmo começou a confusão, cadeiras, latas, pedras, o que encontravam pela frente jogavam. Fora dele, resolvi ficar pois mesmo com a presença da polícia e de um suposto controle da situação, saberia que ia ferver. Não deu outra, foi ônubus destruído, torcedor do Pirambu atropelado, a torcida acuando a polícia, tirosa de borracha, gás de efeito moral e eu lá com o fotógrafo correndo de um lado pro outro registrando tudo. Duas situações deixaram a gente bem nervosos. A primeira, quando o povo viu o crachá da gente e começou a ameaçar e a outra, quando a polícia apontou as armas pra'gente. Daí, foi pernas pra quem te quero e uma entrada no carro do jornal, que juro não conseguir mais fazer aquilo. Depois dessa adrenalina, fui o único 'veículo de comunicação' a dar detalher do acontecido, pois todos foram embora depois da partida. Hoje eu conto como uma vitória, mas na hora é uma loucura! hehehehe. Beijos

saintcahier disse...

Lugar de herói e no cemitério! Bem fez o Bial, que trocou as guerras de verdade pela marmelada do BBB.