terça-feira, 22 de abril de 2008

Galpão: primeiro encantamento














Era o último dia de uma curtíssima temporada de repescagem da peça “Pequenos Milagres”. Já sabíamos que os ingressos estavam esgotados, mas nos firmamos na possibilidade de que os 30 cortejados com cortesias não aparecessem no teatro. Encaramos a fila com resignação e alguma cara feia para o amigo do amigo do amigo que entrava na nossa frente.

Mas era noite de milagres. E conseguimos entrar. Em seguida, fomos tomados pelo alumbramento de uma montagem do grupo Galpão. As quatro histórias da peça foram escolhidas entre 600 recebidas durante a campanha Conte sua História, quando a população de Minas foi convidada a enviar cartas e e-mails – anônimos ou não – descrevendo uma vivência pessoal com alguma pontinha de verdade.

Cabeça de cachorro, que amarra as outras três histórias, me transportou para o caótico centro de São Paulo com apenas seis atores em cena. Os poucos elementos do cenário foram suficientes para restituir a essência da praça da Sé – ou praça “do Zé”, como pensava o menino protagonista. Aos 11 anos, tomou um ônibus sozinho partindo do interior com uma curiosa incumbência do pai: levar a cabeça do cachorro que mordeu o irmão mais novo para a vigilância sanitária de São Paulo. Perdido naquela confusão de pregadores religiosos, homens de negócio, vendedores e assaltantes, ele descobre que pode ser dono do próprio caminho.

Por fim, a peça é um presente ao público pelos 25 anos do Galpão. De forma singela, consegue lembrar que o cotidiano pesado de gente pobre deste país também está cercado de estrelas e sonhos que se realizam.

Um alento para tantas camas quadradas e casais redondos, espíritos penados e virgens de 40, como comentei neste post.

2 comentários:

Patrícia disse...

eita que eu queria estar aí, minina! rsrsrs. ainda bem que tem esse blog pra me deixar mais perto docê, flor. beijocas

.ludmila ribeiro. disse...

"eu gostei de mim tio!"