quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Jornais de Minas


















O fenômeno dos jornais tablóides por 25 centavos é mesmo uma mania em Minas. O principal sucesso é o Super Notícia, que em 2007 atingiu tiragem diária de 300 mil exemplares, superando a Folha de S. Paulo. Tanto o Super como o Aqui!, concorrente, são vendidos em todos os cantos da cidade, recuperando a figura do menino jornaleiro que oferece exemplares pelas ruas e periferias. Vai à drogaria Araújo? Também pode levar um Super ao lado do caixa.

Comprei o jornal hoje para registrar alguns títulos, diagramados em torno de alguma mulher semi-nua, nesta edição a “morena” que vai participar de programa com Renato Aragão: “Morte em briga de vizinhos”, “Diretor da Globo chama BBB de cachorra”, “Rapaz é acusado de raptar a namorada em Valadares”, “Juninho diz que Cruzeiro não é time grande”.

É engraçado que, apesar do apelo sanguinário, erótico e fútil, algumas das suas 32 páginas repercutem noticias nacionais, como a suposta epidemia de febre amarela, os desastres causados pelas chuvas e o impacto do fim da CPMF nos salários dos servidores públicos e militares. Sei que meus colegas de profissão terão mil argumentos contrários, mas não condeno totalmente o sucesso desses jornais. Com certeza, quem tira uma moedinha do bolso não estaria disposto a comprar um Estado de Minas, o mais tradicional daqui. E alguma leitura é melhor que nada, não?

O jornal acerta na mosca em duas seções. Uma delas é “Panelaço – Espaço reservado para protestos”, indicado para reclamações sobre serviços públicos nas comunidades. Mesmo 90% das notas nesta edição sendo cartas de gente procurando parentes desaparecidos, considero um espaço bastante válido. Outro atrativo é a página de Emprego, com o box “Fique de olho”, que traz ofertas de emprego do Sistema Nacional de Emprego e de cursos do Senac Minas. Ao lado, o box “Venda seu peixe” publica gratuitamente descrições de profissionais que procuram trabalho.

Agora.... quem quer saber que “Cachorro mata o dono com tiro de escopeta nos EUA”? Ou que “Mulher guarda marido morto por 10 meses”? Haja paciência...

8 comentários:

Anônimo disse...

Julita! passarei aqui mais vezes. Fiz um link no meu blog. Olha, quem sabe essa não seja a saída para nós jornalistas? Daí não precisaríamos rondar as redações ou nos preocupar com o 'sexo dos anjos' da notícia que nos dará o prêmio de jornalismo do ano. Hehehehe. Gostei da idéia e ela provou que dá certo. Quando quisermos um 'papo cabeçóide humanóide', deixamos o 'nosso' e vamos para outro órgão. kkkkkkkkkk. Beijos Julita e conte com minha presença sempre por aqui.

Aquele Anderson Ribeiro

ludmila ribeiro disse...

é julita! os tablóides estão aí.. com alguns diferenciais bem interativos como você destacou, mas no geral, um jornalismo mais esvaziado do que nunca.. tudo tem seus dois lados, mas pensar que esse tipo de jornal gerou mudanças editorias seríssimas, como o fim do diário da tarde, por exemplo, que fazia o papel de jornal popular, porém com mais conteúdo... sei não. tô passando longe! :p

lau lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lau lopes disse...

tenho pé atrás de jornalistas que pregam apenas o jornalismo de conteúdo 'sério'. NP foi um sucesso porque o povão precisava daquilo. e, como vc bem disse, alguma leitura é melhor que nada... viva o tablóide mineiro de 25 cents!
bjão

pat disse...

Julita, e vc teve oportunidade de observar a "guerra" entre o Metro e o Destak aqui em sampa? Distribuição gratuita, menina. As pessoas se esticam dentro dos ônibus para alcançar as mãos dos entregadores que transitam pelas avenidas enquanto os semáforos estão fechados. Tá certo que as mulheres semi-nuas não estampam as capas. Mas são as notícias de ontem, mal requentadas, como se fossem novas. Há quem critique, mas concordo contigo: é uma leitura. E se quer saber, nem os grandes jornais escapam das manchetes bizarras. Folha de S.Paulo de hoje "Uruguaios acham roedor pré-histórico de 1 tonelada". A notícia veio antes de algo que eu julgaria mais interessante como "Estudo promete analgésico potente sem efeito colateral". Fazer o que, né!? Beijo, beijo.

saintcahier disse...

Na bodega que meu pai freqüenta em Carandaí tem sempre um exemplar do Super no balcão (e nada de Estado de Minas).

Eu sempre dou uma espiada, e acho que, dentro da proposta de tablóide popular, é até muito bom e tem um conteúdo interessante. Não chega a ser tão bom quanto ao Le Parisien, mas é muito melhor que o The Sun, por exemplo.

Tem notícias interessantes numa linguagem que o povo interessante. E umas peladonas, factóides e fofocas, para fisgar o povo -- afinal, já dizia a sábia Mary Poppins -- "uma colher de açúcar ajuda a engolir o remédio".

saintcahier disse...

Tem notícias interessantes numa linguagem que o povo entende*

.ludmila ribeiro. disse...

voltei aqui só pra registrar um trechinho que me agradou muito e me remeteu à essa discussão: "É fácil censurar o exagero da imprensa vulgar e sensacionalista para cair na mentira elegante do Le Monde" (Raoul Vaneigem).. Viva a renovação da opiniã!